Arquivo do autor:Tânia Gomes Mendonça

Resenhas

A caminhada como transformação (Parte I)

10 agosto, 2020 | Por Tânia Gomes Mendonça

Uma reflexão sobre A estrada que não levava a lugar algum, de Gianni Rodari

Tânia Gomes Mendonça

 

“Na saída do vilarejo,
abriam-se três estradas:
uma seguia em direção ao mar,
outra, em direção à cidade
e a terceira não levava
a lugar nenhum”.

Assim se inicia o conto do escritor Gianni Rodari, A estrada que não levava a lugar nenhum, publicado em formato de álbum ilustrado em 2016, pela Editora 34, com ilustrações de Sandra Jávera e tradução de Glória Kok. Já nesta primeira página da obra, nos deparamos, na imagem, com uma estrada principal que se bifurca em três. Qual seria a estrada que não leva a lugar algum? Por que, então, ela existiria?

E eis que, ao virarmos a página, conhecemos o protagonista da história: o menino Martim, o qual havia indagado a quase todos do lugar onde vivia acerca da misteriosa estrada, sempre recebendo a mesma resposta: esta não levava “em parte alguma”. Mas o garoto, curioso, não se contentava com esta provável certeza do vilarejo. Assim, insistia: “como vocês podem saber, se nunca estiveram lá?”. Com isso, devido à sua obstinação, passaram a chamá-lo de Martim Cabeçadura. E, enquanto a narrativa se espalha no decorrer das páginas, as ilustrações, em tons azulados, oferecem as nuances e as curvas da estrada tão instigante.

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Resenhas

“A poética do ser e não ser” – Uma radiografia do teatro de animação brasileiro contemporâneo

21 setembro, 2017 | Por Tânia Gomes Mendonça

Detalhe do acervo do Museu Giramundo

Analisando onze textos dramatúrgicos provenientes do Festival de Canela (RS), os quais possuem como pólos a presença e a ausência da palavra, Felisberto Sabino da Costa, na obra A poética do ser e não ser – Procedimentos dramatúrgicos do teatro de animação [Edusp, 2016], nos apresenta as peculiaridades da estrutura dramatúrgica do teatro de animação com relação ao teatro de ator, lançando luz às leis que são próprias da primeira linguagem. Esta perspectiva permite ao leitor conscientizar-se de elementos que devem ser considerados ao apreciar e/ou construir um trabalho focado no teatro de animação.

E qual seria uma das principais particularidades presentes na dramaturgia específica para teatro de animação, diferenciando-a daquela prevista para o teatro de ator? Para o pesquisador, o terceiro elemento presente no teatro de animação, o qual não é composto apenas de ator-plateia, mas, sim, de ator-boneco-plateia – seria um importante aspecto que promove um “processo diferenciado de escritura” (p. 18), já que o dramaturgo escreverá para um ator que animará um objeto, o qual, por sua vez, em seu caráter de (não) animado, é um vir a ser. O objeto “é a ponte que liga o ator-manipulador ao público”.

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