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Literatura

Os contos reunidos de Dostoiévski

26 setembro, 2017 | Por Isabela Gaglianone

“Saí para me divertir, acabei num enterro. Um parente distante. No entanto, conselheiro de colégio. Viúva, cinco filhas, todas donzelas. Só em sapato, o quanto não vai isso!” – Dostoiévski, trecho de “Bóbok”.

“Lua”, xilogravura original de Oswaldo Goeldi, impressa a partir da matriz original.

Os Contos reunidos, de Fiódor Dostoiévski (1821-1881), foram há pouco publicados pela Editora 34, com traduções, diretas do russo para o português, de Boris Schnaiderman, Paulo Bezerra, Fátima Bianchi, Priscila Marques e outros, sob organização de Fátima Bianchi. A coletânea abrange 28 contos de Dostoiévski, escritos do primeiro ao último ano de sua vida literária. Buscando a fidelidade quanto ao espírito da obra dostoievskiana, a edição compreende uma concepção ampla de “conto”, de modo que inclui também breves novelas, narrativas autônomas dentro de romances e peças jornalísticas com viés ficcional.

Além dos contos mais conhecidos do início de carreira do autor, como “O senhor Prokhártchin”, “Romance em nove cartas” e “Uma árvore de Natal e um casamento”, destaca-se na coletânea a primeira narrativa breve publicada por Dostoiévski, “Como é perigoso entregar-se a sonhos de vaidade” (1846), o conjunto de textos de ficção publicados em Diário de um escritor (periódico editado pelo próprio Dostoiévski entre 1873 e 1881), além das duas versões de “A mulher de outro e o marido debaixo da cama” e “O ladrão honrado” (1848 e 1860).

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Literatura

Sob o nome tonitruante de Stálin

10 julho, 2014 | Por Isabela Gaglianone

O russo Óssip E. Mandelstam (1891-1938) é um dos maiores escritores do período soviético e do século XX. No Brasil, de sua autoria, há apenas o volume que reúne O rumor do tempo e Viagem à Armênia (respectivamente, de 1925 e 1932-33), publicado pela Editora 34 e traduzido por Paulo Bezerra. Ambas narrativas, de caráter memorialístico e reflexivo, representam com amplitude intelectual o cruzamento de culturas, vozes e estilos que povoam o universo deste tão singular autor.

Óssip E. Mandelstam faleceu tragicamente em uma prisão na Sibéria durante a era de terror stalinista. Após escrever um poema anti-stalinista, “Epigrama de Stalin” – em que o ditador aparece com enormes bigodões de barata –, foi preso, em 1934. Morreu por inanição.  Continue lendo

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Literatura

Em verso e prosa

16 junho, 2014 | Por Isabela Gaglianone

O livro Dois sonhos reúne duas ficções de Fiódor Dostoiévski, que se articulam não tanto pelo gênero, mas pela percepção extremamente aguçada que tende a descobrir, por meio da ironia e do confronto entre diferentes pontos de vista, os ângulos mais incomuns da realidade. O volume traz O sonho do titio e Sonhos de Petersburgo em verso e prosa, traduzidos diretamente do russo por Paulo Bezerra, também responsável pelo posfácio e pelas notas.

O sonho do titio foi publicado em 1859, ano em que o escritor retornou a São Petersburgo após um longo período de exílio na Sibéria. A narrativa toma a forma da comédia de costumes e da crônica de província para promover uma crítica generalizada à sociedade russa, sobretudo em relação à sua aristocracia, alheia às importantes transformações históricas em vias de realizar-se na Rússia.

Sonhos de Petersburgo em verso e prosa, folhetim publicado em 1861, apaga deliberadamente as fronteiras entre a prosa e a poesia para construir uma visão a um só tempo crítica, cômica e fantástica da cidade construída por Pedro, o Grande. Dostoiévski utiliza um registro que oscila entre o devaneio, a epifania e a mais lúcida observação.

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