Últimas

O Tigre Branco de Aravind Adiga

11 novembro, 2008 | Por admin

Em sincronia perfeita, a editora Nova Fronteira acaba de lançar no mercado editorial brasileiro o recém-premiado O Tigre Branco, do indiano Aravind Adiga. No último dia 14 de outubro esse romance e seu autor foram nomeados os vencedores do famoso The Man Booker Prize na categoria ficção, e levaram 50.000 libras pra casa.

A sinopse disponível no site da livraria cultura (no site oficial da editora o livro nem cadastrado está) diz: “O protagonista de O Tigre Branco relata o trajeto que percorreu para subir na vida e conseguir se tornar alguém importante no cenário nacional – assassinar seu patrão. Em cartas dirigidas ao primeiro-ministro chinês ele justifica seu crime classificando-o como um ato de empreendedorismo.”

A edição brasileira foi traduzida por Maria Helena Rouanete e está a venda por R$ 34,90. Resta torcer para que a Nova Fronteira leve esse título para a X Feira do Livro da USP que começa amanhã.

Send to Kindle
Artes Plásticas

+ Bienal do Vazio – Jorge Coli FSP

11 novembro, 2008 | Por admin

Na tentativa de levar os leitores à exaustão, publico mais um pouco sobre a Bienal do Vazio. Desta vez é o artigo de Jorge Coli que saiu no domingo no caderno Mais! da Folha de Sâo Paulo.

Abre aspas.

O título deste “Ponto de fuga” está na coluna de Barbara Gancia, na Folha, dia 31 passado. Um artigo que lavou a alma. Enfim, alguém berrou: “O rei está nu”.

Ou melhor: a Bienal de São Paulo está vazia. Vazia. Sem floreios ou firulas: vazia, irremediavelmente vazia, pateticamente vazia. Vazia de obras, de idéias, de vergonha.

Não é gesto artístico: Yves Klein [1928-62] pintou de branco a galeria Iris Klert, em Paris, e expôs o vazio, provocando filas de gente querendo entrar para ver o que não havia.
Isso em 1958. Cinqüenta anos depois, está lá, no pavilhão do Ibirapuera, o cavo, o inane, o chocho.

Não adianta vir com história de que essa Bienal causa “polêmica”, palavra hedionda porque reduz argumentos e debates a um espetáculo de circo. Não pode haver “polêmica” com alguma coisa que se situa entre o simplório e o safado. Não é admissível contemporizar, dizendo que a arquitetura do Niemeyer ficou visível, patati e patatá.

Nem que houve seminários, conferências e quejandos: a Bienal de São Paulo não é academia ou universidade. Existe para mostrar arte recente.

Nem que ela “questiona” a produção de hoje ou a natureza das próprias bienais. Questiona nada, porque é um nada.

O que ela traz, sem querer, não é artístico ou estético, é ético. Aracy Amaral, com sua serenidade de sábia, tocou num nervo exposto, declarando à Folha: “Existe uma produção nacional muito vigorosa que não está aqui e poderia”.

Basta comparar a atual Bienal de São Paulo com as últimas edições da Bienal do Mercosul, em Porto Alegre.

Lá, as mostras, nacionais e internacionais, são vivas, agudas, brilhantes.

Parquinho

No segundo andar da Bienal não há nada. Literalmente. No primeiro, algumas obras minguadas. Entre elas, um escorregador, de Carsten Höller. Escorregador mesmo.

Na Tate Modern, de Londres, há dois anos, eram cinco. Aqui é um só, perdido no desânimo.

Se é para perturbar a seriedade sagrada dos lugares reservados às artes, uma sugestão: instalar a próxima bienal no Playcenter. Tanya Barson, da Tate Modern (Londres), que lamentou, na Folha, ter voado 14 horas para ver a Bienal do Vazio, poderia ao menos se divertir na montanha-russa, no chapéu mexicano.

Charabiá

Como muitas pessoas são fascinadas por aquilo que não conseguem entender, a crítica e a teoria das artes abusam.

Jonathan Shaughnessy sobre Carsten Höller: “Esses objetos tentam ao mesmo tempo embrulhar e revelar os sentidos a fim de que inibam a subjetividade e o sentimento de si ao invés de favorecê-los”. Tradução possível: depois de escorregar no tobogã a gente fica tonto.

Coronéis

Um problema de certas instituições brasileiras voltadas para a arte e para a cultura é que se acham nas mãos de ricaços.

Nos EUA, contribuições vão para o MoMA ou a Metropolitan Opera. Uma direção especializada decide o destino das verbas. Aqui, quem tem dinheiro mete o bedelho. Os resultados são desastrosos. Sem contar a freqüência com que dinheirama e falcatrua se tornam sócias.

Ilustração evidente, o caso de Edemar Cid Ferreira. Chegou a ser mais poderoso do que o ministro da Cultura no Brasil e acabou na cadeia.

Tristes fraquezas pressupostas naquele latim: “Sic transit gloria mundi”, ou seja, uma hora por cima, outra hora por baixo. Edemar Cid Ferreira vivia circundado por uma corte de intelectuais que se agitava ao seu serviço. Que se escafedeu ao sentir o cheiro de queimado.

Fecha aspas.

Send to Kindle
lançamentos

Coleção Adorno – Editora Unesp

6 novembro, 2008 | Por admin

A Editora Unesp lançou este mês o primeiro volume de sua nova coleção sobre a filosofia de Theodor W. Adorno. Segundo o boletim da editora:

“Empreendimento editorial que visa fornecer ao leitor brasileiro, de maneira padronizada, os principais textos publicados por Adorno. Serão editados os trabalhos mais importantes ainda não publicados em português, assim como novas traduções, em quatro coletâneas: Escritos sobre música, Escritos sobre sociologia, Indústria cultural e Escritos de psicologia
social e psicanálise. Todos seus volumes são acompanhados por uma Introdução que contextualiza a obra no interior da experiência intelectual adorniana, atualiza os debates
dos quais ela fazia parte e expõe os desdobramentos e influências da referida obra no cenário intelectual do século XX.”

Livro inaugural da Coleção Adorno, As estrelas descem à Terra aborda temas tradiconal- mente ligados ao “núcleo duro” do pensamento do filósofo, como a interpenetração entre o racional e o irracional, o processo de dominação característico do capitalismo tardio e a cultura de massas. Analisando o conteúdo da coluna astrológica de Carroll Righter, consultor de vários atores e atrizes de Hollywood, no Los Angeles Times dos anos 50, Adorno busca entender o que este tipo de publicação significa em termos da reação dos leitores, tanto em um nível aparente e evidente como em um nível mais profundo.

O livro sai por R$22.40 no site da 30PorCento. Clique aqui para comprar.

As Estrelas Descem - Theodor W. Adorno

Send to Kindle
Arquitetura

Concreto Armado + Álvaro Siza

5 novembro, 2008 | Por admin

Começou no dia 1 de novembro, na Caixa Cultural da avenida Paulista, a exposição de fotografias Um Século de Concreto Armado no Brasil, do fotógrafo ítalo-brasileiro Lamberto Scipioni.

São 100 anos de uso deste material que possibilitou uma das grandes revoluções estéticas da arquitetura. Os exemplos brasileiros mais famosos são o prédio do MASP, a Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP (FAU), o Palácio da Alvorada em Brasília, o Museu de Arte Contemporânea em Niterói e inúmeros outros.  Entre as fotos, há uma curiosidade histórica que são fotos do primeiro edifício em concreto armado construído no Brasil, ainda existente na Praça Patriarca, em São Paulo.

Entretanto, há um prédio que não foi fotografado e que deveria ter sido: O prédio da nova sede da Fundação Iberê Camargo, “um marco internacional em arquitetura e soluções em engenharia. Uma das inovações do projeto é a construção em concreto armado em toda sua extensão, sem utilizar tijolos ou elementos de vedação, formando contornos arredondados como uma grande escultura para destacar a forma e o  movimento das rampas que foram construídas em todos os pavimentos. Além disso, é o único do País construído totalmente em concreto branco”. Crédito para o arquiteto português Álvaro Siza.

Visite a exposição que fica em cartaz até dia 30 de novembro na Caixa Cultural mas, e sobretudo, vá para Porto Alegre e contemple tanto o interior quanto o exterior da nova Fundação Iberê Camargo.

A editora Cosac Naify já lançou dois livros, há pouco menos de um mês, que tratam da obra de Álvaro Siza (Modern Redux) e, mais especificamente, da Fundação Iberê Camargo (Fundação Ibere Camargo – Álvaro Siza). Basta clicar aqui para acessar a página da 30PorCento sobre os livros destacados.

Fundação Iberê Camargo- de Álvaro Siza Álvaro Siza - Modern Redux

Send to Kindle
Últimas

Intervenção Urbana e a Bienal do Vazio

4 novembro, 2008 | Por admin

A Bienal de São Paulo já começou, alguns grupos já fizeram seus protestos no segundo andar oco do prédio da exposição além de vários meios de comunicação já terem veiculado, ad nauseam, matérias, notícias, editoriais, artigos, notas de rodapé e legendas de ilustrações sobre a Bienal do Vazio.

Foi tanta gente dando idéia do que fazer com aquela abundante superfície plana que resolvi dar meu pitaco:

Eu ligo pro Eduardo Srur e encomendo um colete salva-vidas pra enrolar naquele prédio no meio do Ibirapuera.  E o que ele me responde? “Fiz meu próprio caminho. Bienal para quê? Tenho a cidade inteira para explorar”.

Eduardo Srur - Sobrevivência, intervenção urbana

Trocando em miúdos:

elogio do oco

O oco desfaz as dúvidas
quanto ao vazio do que é:
ninguém fica sem recado.
Todos sabemos direito

o que importa a seu respeito.

O oco é fácil e honesto.
Não digo o mesmo do resto.

Rubens Rodrigues Torres Filho

Send to Kindle
Últimas

Uma carta a meus Amigos – Carlos Moore

3 novembro, 2008 | Por admin

Uma carta a meus Amigos

Carlos Moore

Esta carta é para meus amigos e minhas amigas pessoais no mundo; para aqueles/as que, de um modo ou de outro, me conheceram nos últimos quarenta anos; pessoas que sabem exatamente o que tenho agüentado e sabem, também, a que me oponho no que diz respeito a meus princípios e opções políticas. E isso tem a ver com o destino de Pichón, meu livro de memórias, um trabalho árduo ao qual me dediquei por vinte e cinco anos, escrevendo em muitos países onde residi com minha família, enquanto vivendo nas condições de exílio que você bem conhece.

Pichón está programado para ser publicado nos Estado Unidos da América e no Canadá no dia 1 de novembro de 2008.  Porém, deixe-me fazer um alertar sobre o fato de que não será comercializado por quaisquer das cadeias de livraria principais que dominam a distribuição de livros. Assim, não espere encontrar Pichón em qualquer lugar, na data do lançamento, a não ser on-line, na Amazon.com. Isto está relacionado ao espaço que as funções econômicas globais, resultantes de decisões corporativas, fazem, julgando o que é comercialmente lucrativo, à custa da informação socialmente pertinente. E Pichón é, precisamente, informação socialmente pertinente!

O clima atual no comércio de livros imprime um controle sem precedente nas mãos de alguns conglomerados e corporações multinacionais, enquanto que o número de independentes capazes de uma publicação autônoma vai diminuindo cada vez mais. É uma atmosfera totalmente desfavorável para livros como Pichón. Eu acredito que Pichón é da categoria de livros que tratam de assuntos sociais e históricos sérios, que tratam do modo como a sociedade trabalha e como a ordem mundial atual pode afetar gravemente as vidas de indivíduos e, ao final e ao cabo, as vidas de milhões das pessoas.

O controle monolítico da produção do livro e a indústrias de distribuição significa que sempre há menos diversidade nos estoques das livrarias, com cada vez maior quantia de pensadores sendo controlados por poucos, quais sejam as grandes editoras. Os pequenos editores independentes estão sempre em franca desvantagem. A lógica que permite que isto aconteça é simples: livrarias têm a expectativa grandes descontos, e as editoras podem ter de pagar até dezenas de milhares de dólares por título de seus livros que serão expostos em destaque nas lojas. Então, inevitavelmente a concentração será feita naqueles materiais de reconhecido e seguro retorno financeiro, e praticamente nenhum autor negro se enquadra nessa categoria.

Por conseguinte, há uma seleção rigorosa de livros escritos autores negros disponíveis nas lojas. A maioria dos que estão nessa situação, são provavelmente colocados em prateleiras “separadas”, como “assuntos negros” e não ao lado dos assuntos de interesse geral (ou seja “não negro”), onde os autores são simplesmente organizados em ordem  alfabética de A a Z. O que o público em geral raramente sabe é que esses “livros negros” ou “assuntos negros” só conseguem ser admitidos nas lojas quando são sujeitados a esse tipo de catalogação e estratégia de “visibilidade” que os torna invisíveis. É um “segredo declarado” onde o espaço reservado para os/as escritores/as negros/as é freqüentemente em um canto qualquer ou atrás de outras obras; próximo ou atrás dos estudos sobre as mulheres.

Em outras palavras, o tratamento dado a “livros negros” ou a “assuntos negros” identifica os parâmetros de exclusão, de “guetização” e de marginalização que são impostas pela grande economia mundial. Escritores, distribuidores e vendedores normalmente já “sabem” que “os autores minoritários”, que produzem “assuntos minoritários” não serão comprados, que o leitor “popular” não tem interesse neles. Da mesma forma, algumas pessoas afirmam que minorias não contam quando se trata de grandes números. A indústria do cinema tem trabalhado com a mesma falácia, até que Melvin Van Peebles mudou essa lógica com o filme baseado nele mesmo, intitulado “Sweet Sweetback’s Baadassss Song”. Se lembre? Nosso inconformado Spike Lee seguiu o exemplo, quebrando records com seu trabalho de baixo-custo “She’s Gotta Have It.” Se lembra?

Embora a indústria chamada “popular” continue considerando o grande equívoco de que livros ou filmes feitos por negros e outros grupos “minoritários” dizem respeito tão somente a negros e, automaticamente, têm limitações de marketing e de mercado, estou convencido que Pichón – que destrói mitos que têm perdurado por muito tempo e que abre a porta para o entendimento de um dos maiores fenômenos políticos do século XX, é relevante para todos.

As decisões corporativas que mantêm um livro desse porte longe do alcance do público são conseqüências desse tipo de globalização que ocorre por meio de fusões, aquisições e consolidações que empurram os pequenos e médios produtores para fora. Esse processo, que começou nos anos 1980, coloca o destino dos livros à mercê de monstruosos monopólios mega-multinacionais. São eles que agora determinam, para nós, o que é comprado ou lido.

Você entenderá por que eu, como um indivíduo, vislumbro essa como a opção viável para exercitar meu direito de ser ouvido, alcançando uma grande audiência que merece uma oportunidade para conhecer Pichón: eu envio esse apelo a você, pedindo seu apoio por uma rede alternativa que confia no comércio on-line.1 A internet pode ser milagrosa.  Democratizando ferramenta, ela possibilita que vozes contrárias, fora do poder instituído, sejam ouvidas sem censura, sem qualquer impedimento burocrático. Eu preciso da ajuda de meus amigos, e dos amigos de meus amigos, criando um informal “olho no olho”, uma campanha de promoção que venha da base. Só desse modo, Pichón poderá sair do anonimato e os assuntos de que trata poderão ser conhecidos por um público consciente e ávido por eles.

Eu tenho sido um exilado.2 Eu sempre lutei contra as desigualdades. Minhas visões políticas nunca foram comuns, nem coincidiram com os interesses de qualquer situação de poder pré-estabelecido (do “status quo”). Acostumei-me a estar atrás das trincheiras. Mas nesse momento, eu preciso de você comigo, para ajudar-me a tirar da marginalidade esta história não contada, mas verdadeira, sobre uma Cuba negra que existe sob da Revolução. Nós podemos alcançar isso no boca a boca, por e-mail, através dos blogs, dos filmes do YouTube,3 das salas de conversa na internet.  O território on-line é lugar onde a batalha contra a censura, contra o corporativismo pode ser ganha.

Três dias antes de os americanos darem o mais histórico voto de suas vidas, na eleição presidencial de 4 de novembro de 2008, eu lhe peço que lance um outro amável voto, em nome do direito de vozes negras cubanas independentes que precisam ser ouvidas. Entre on-line na amazon.com, no dia 1 de novembro, o dia de publicação de Pichón. Ajudando a tirar o livro da invisibilidade, você participa de um processo de democratização de Cuba que, esperamos, possa conduzir, finalmente, a maioria dos cubanos ao poder.

Meu humilde desejo para Pichón é que possa informar e contribuir para um caminho novo nas relações cubanas, e que aponte alguns possíveis caminhos novos de negociar com o mundo. Dê um voto para a transformação democrática e pacífica de Cuba!

Por favor, vote em Pichón, no dia 1 de novembro de 2008!

Com carinho e muita gratidão, em nome de um mundo melhor para nós tudo.

Carlos MOORE (site oficial: www.drcarlosmoore.com)

Send to Kindle
Últimas

Nobel de Literatura 2008 – Le Clézio

20 outubro, 2008 | Por admin

Antes de começar, não esqueçamos que o acento agudo na língua francesa tem uma função fonética diferente da sua função exercida na língua portuguesa. Leia, portanto, Clêziô (há muito tempo eu estou em busca de um guia de transcrição fonética mas não consigo encontrar; se alguém souber de algum endereço ou livro por favor me indique).

O Africano - Le Clézio

O corpo editorial da Cosac Naify tem que comemorar. Publicou O Africano em junho do ano passado (2007) e o autor, Jean-Marie Gustave Le Clézio, ganhou há poucos dias o Prêmio Nobel 2008 da Academia Sueca.

A nota que a Academia divulgou ao estabelecer o ganhador do prêmio foi: “Um escritor da ruptura, da aventura poética e do êxtase sensual, explorador de uma humanidade além e acima da civilização dominante”.

Infelizmente, o único livro que temos disponível do autor é o supracitado O Africano, no qual, “em edição ilustrada com fotos do acervo pessoal de Le Clézio, o autor nos leva para uma longa viagem à África, de 1928 até muito depois do final da Segunda Grande Guerra. A história é narrada por um homem que, pelas lembranças, refaz o caminho de seu pai durante as mais de duas décadas em que este trabalhou como médico militar nas colônias inglesas do continente africano.”

Compre  O Africano na Livraria 30PorCento clicando aqui.

Send to Kindle
Últimas

Formação de cartel nos prêmios literários de língua portuguesa

19 outubro, 2008 | Por admin

Com o atual aquecimento e expansão do mercado editorial brasileiro e o surgimento de Prêmios Literários como o recém-criado Prêmio São Paulo de Literatura (idealizado pela Secretaria de Estado da Cultura, cujo prêmio é o maior do Brasil: R$ 200 mil), chegamos à um curioso quadro de formação de cartel literário – obviamente no sentido figurado do termo jurídico – que acaba por empobrecer a fauna da criação literária brasileira.

No dia 28 de agosto, o júri do famigerado prêmio de literatura brasileiro que comemora seus 50 anos de existência, o quelônio literário Jabuti, confirmou entre seus 10 finalistas da categoria Romance os seguintes livros: O filho eterno, de Cristovão Tezza; O sol se põe em São Paulo, por Bernardo Carvalho; e Antonio, da Beatriz Bracher.

No dia 3 de setembro, foi a vez do júri do Prêmio Portugal Telecom divulgar as 10 obras – são diversos gêneros que concorrem a um prêmio único – de seu concurso. Entre elas, estavam: O filho eterno, de Cristovão Tezza; O sol se põe em São Paulo, por Bernardo Carvalho; e Antonio, da Beatriz Bracher.

O 23 de setembro foi marcado pela “agitação” da divulgação dos vencedores do Jabuti 2008. O resultado final, coincidência ou não, foi (na ordem de premiação): O filho eterno, de Cristovão Tezza; O sol se põe em São Paulo, por Bernardo Carvalho; e Antonio, da Beatriz Bracher.

E finalmente, no último dia 16 de outubro, o polpudo Prêmio São Paulo de Literatura fez seu solene anúncio de finalistas de melhor romance. Pela força da repetição, vou repetir os nomes aqui, mesmo já tendo se tornado óbvio para o leitor a lista: O filho eterno, de Cristovão Tezza; O sol se põe em São Paulo, por Bernardo Carvalho; e Antonio, da Beatriz Bracher.

Esse tipo de prática – a formação de cartel – é ilegal e é prevista multa para os praticantes. Esperamos o resultado sair para ver quem será autuado em flagrante e castigado com 200 mil reais.

Certamente eu não estou contestando o valor literário das obras finalistas. Que essa constatação seja vista sobre a ótica do fluxo de mercado editorial, sem pretender fazer, sob hipótese nenhuma, juízo de valor em relação aos autores e suas respectivas obras.

Send to Kindle
lançamentos

Manguebeat revisitado em show e livro

26 setembro, 2008 | Por admin

Na última página do caderno ilustrada na Folha de São Paulo de hoje fiquei sabendo de uma série de apresentações que começam hoje e vão até domingo no Sesc Pompéia e que fazem referência ao Manguebeat, gênero marcante dos anos 90 na cena musical brasileira.

Diz a reportagem que os shows fazem parte da série Era Iluminada, um projeto do Sesc que se propõe apresentar um panorama de movimentos da música brasileira. Esta é a nona edição e o tema é o Manguebeat.

Hibridismos Musicais de Chico Science & Nação Zumbi

Coincidência ou não, a Ateliê Editorial lançou no primeiro semestre deste ano um livro que trata dos Hibridismos Musicais de Chico Science & Nação Zumbi, respondendo à perguntas como: “Que importância e significados teve o Manguebeat para a cultura de Pernambuco e para a música brasileira?”, ou “Como se estruturam as letras e músicas do grupo Chico Science & Nação Zumbi, um dos principais expoentes da cena musical recifense dos anos 1990?” e também “Quais foram as polêmicas causadas pelas mesclas poético-musicais entre tradição e modernidade que o grupo produziu?“.  As respostas são dadas através de análises de letras de músicas do movimento. O autor é Herom Vargas que, segundo o site da Ateliê Editorial, é doutor em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e professor e é também membro da seção latino-americana da International Association for Study of Popular Music.

Para adquirir o livro basta clicar neste link e pagar R$23,10.

E para o show, basta ir ao Sesc Pompéia (Rua Clélia, 93, Lapa) hoje ou amanhã às 21h ou domingo às 18h. Ingressos de R$6 a R$24.

Send to Kindle
Últimas

Condecorados com a Ordem do Mérito Cultural 2008

25 setembro, 2008 | Por admin

O MinC – Ministério da Cultura – divulgou em sua página oficial na internet, cultura.gov.br, os 40 homenageados que receberão, em sonelidade marcada para o dia 7 de outubro no Theatro Municipal do Rio de Janeir, a Ordem do Mérito Cultural de 2008. A Ordem do Mérito Cultural de 2008 “terá como tema central de celebração um dos maiores expoentes da literatura nacional, Machado de Assis, assinalando o centenário da morte do escritor”, assim como está escrito no site. É mais uma comemoração no oceano de celebrações em torno da morte do escritor marcadas ou já realizadas este ano.

A lista de homenageados é extensa e não vale a pena ser inserida aqui. Mas vale destacar alguns nomes importantes (de importância para o blog, não para a cultura nacional; digo, também para cultura nacional, mas mais pelo blog que pela cultura) :

Paulo Emílio Sales Gomes. “Um dos grandes mentores do Cinema Novo e nome fundamental da crítica brasileira de cinema, Paulo Emílio ajudou a criar a Filmoteca do Museu Arte Moderna de São Paulo, que se transformou posteriormente em Cinemateca Brasileira (1956), da qual foi o primeiro conservador-chefe. Ao lado de Antonio Candido, Décio de Almeida Prado, Gilda de Mello e Souza e Lourival Gomes Machado, era animador da revista Clima, onde publicou ensaios antológicos. Em Paris, escreveu sua monografia clássica sobre o cineasta francês Jean Vigo – considerada o melhor livro sobre cinema de 1957, vencedora do Prix Armand Tallier, a obra terá publicação pela Cosac Naify e passará a integrar a coleção Paulo Emílio, que reúne ainda Capitu (roteiro de cinema baseado na obra Dom Casmurro, de Machado de Assis, adaptada a quatro mãos com Lygia Fagundes Telles), Três mulheres de três PPPês e Cemitério.” Texto retirado do site oficial da Cosac Naify. Eis o link: link.

Claudio Andujar. “Nascida em Neuchâtel, Suíça, em 1931, Andujar vive no Brasil desde 1955, vinda dos EUA depois de haver escapado dos conflitos da 2ª Guerra Mundial na Hungria. Trabalhou como fotógrafa na extinta revista Realidade, publicação expoente do novo jornalismo e da grande reportagem. Na década de 1970, passou a fotografar populações isoladas, sobretudo os Yanomami. Marcada por um olhar humanista e poético, a série de fotografias sobre os índios estão entre seus trabalhos mais reconhecidos e foi publicada sob o título A vulnerabilidade do ser: Claudia Andujar pela Cosac Naify, em 2005.” Texto retirado também do site oficial da Cosac Naify. Eis, novamente, o link: link.

Não posso deixar de ressaltar também celebridades homenageadas como Guimarães Rosa, Carlos Lyra, Johnny Alf, Maria Bonomi, Milton Hatoum e Ruy Guerra.

4 curtas do dia:

  1. Pra quem mora em São Paulo hoje começa a Primavera dos Livros no CCSP com descontos de até 50%. Pra quem não é: http://30porcento.com.br/
  2. O poeta Antonio Cícero dará palestra na sexta, às 19h30, em São Paulo, no Sesc Paulista. http://antoniocicero.blogspot.com/
  3. “Tio Vânia”, clássico de Tchecov, ganha nova montagem no Brasil com direção de Celso Frateschi: http://st1.mais.uol.com.br
  4. Acesse http://30porcento.com.br/tchekhov.html para dar uma olhada em alguns livros traduzidos do russo para o português.
Send to Kindle
Últimas

Competição de Microcontos

25 setembro, 2008 | Por admin

O escritor Marcelino Freire acabou de publicar em seu blog – eraOdito –  os ganhadores de um concurso que ele mesmo organizou para premiar os melhores microcontos com exatas seis palavras! Eis os ganhadores:

[1º]
Gênese
Escuridão. Deus desemcapando fio: Terra.
[ Carlos Nealdo ]

[2º]
Nosso casamento entre estilhaços daquela xícara.
[ Georgio Rios ]

[3º]
Vendia heroína para comprar a polícia.
[ NightHiker ]

E agora os outros dez microcontos,
por ordem alfabética, sem ordem de classificação:

[01]
Nunca acreditou em sinais.
Morreu atropelada.
[ Adrienne Myrtes ]

[02]
Conte-me mais
quem foi você.
[ arrudA ]

[03]
É grande? Senta!
Tem muito mais.
[ Dani Blaschkauer ]

[04]
Engoliu porque tinha nojo de cuspir.
[ Eric Presente ]

[05]
Olá
— Olá, quem é?
— O título.
[ Filipe Lazarini ]

[06]
Ele ajoelhou, olhou pra cima. Chupou.
[ Kadu Lago ]

[07]
A lágrima secou antes de cair.
[ Ligia M. Pin ]

[08]
Metafísica
Sinto-me profundamente na superfície.
[ Pedro Maciel ]

[09]
Sem as palavras
contou-me tudo.
[ Regina Romani ]

[10]
Vejo-me nas vitrines,
andarilho desconhecido.
[ Rodrigo Barata ]

Marcelino Freire já organizou um livro com temática parecida, e de muito sucesso; Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século foi publicado pela Ateliê Editorial e está a venda na Livraria 30PorCento.

Os Cem Menores Contos Brasileiros do Século - Ateliê Editorial

Send to Kindle
Últimas

Tio Vânia, peça de Tchekhov no Teatro Ágora.

25 setembro, 2008 | Por admin

Tio Vânia, peça de Tchekhov no Teatro Ágora.

Tio Vânia, peça de Tchekhov, estreiou no último dia 19 no Teatro Ágora. A direção é de Celso Frateschi – que tem um blog pouco atualizado mas interessante, e reparem como a foto que ele colocou no blog ficou parecida com a foto do blog do Marcelino Freire: http://eraodito.blogspot.com/ – e o elenco é:

Angelo Brandini, Arô Ribeiro, Cinthya Chaves, Christiane Galvan, Gisela Millás, Heitor Goldflus e Sidney Santiago com participação especial de Elisabeth Hartman.

São R$20 de sexta, sábado e domingo. O site do Ágora Teatro é http://www.agorateatro.com.br/.

E para complementar, uma lista de livros de Tchekhov da Livraria 30PorCento:

A gaivota
De 36.0 Por 25.2
COSACNAIFY
Anton Tchekhov

beijo e outras historias, O
De 38.0 Por 26.6
EDITORA 34
A. P. Tchekhov

dama de espadas, A
De 37.0 Por 25.9
EDITORA 34
A. P. Tchekhov

dama do cachorrinho, A
De 43.0 Por 30.1
EDITORA 34
A. P. Tchekhov

Kachtanka
De 39.0 Por 27.3
COSACNAIFY
Anton Tchekhov (texto); Genádi Spirin (ilustrações)

Kachtanka
De 39.0 Por 27.3
COSACNAIFY
Tchekhov, Anton

Males do tabaco e outras peças em um ato
De 29.0 Por 20.3
ATELIE
Anton Tchékhov

Send to Kindle
Últimas

Concurso “Guilherme de Almeida” de Poesia da APL

24 setembro, 2008 | Por admin

Pegando carona na divulgação dos ganhadores do Jabuti 2008 ontem há um concurso de poesia da Associação Paulista de Letras com prazo final no dia 31 de outubro. O prêmio é temático: os textos precisam enaltecer a vida e a obra de Guilherme de Almeida (1890-1969) e a atuação do poeta na defesa do intercâmbio cultural entre Brasil e Japão.

As inscrições podem ser feitas através de email ou carta. Os endereços para envio são:

Academia Paulista de Letras (Largo do Arouche, 312/324, Centro, CEP 01219-000, São Paulo) e Aliança Cultural Brasil-Japão (r. Vergueiro,727, 5º andar, Liberdade, CEP 01504-001, São Paulo, e-mail: alianca@aliancacultural.org.br).

O prazo é 31 de outubro.

Send to Kindle
Últimas

6eis

23 setembro, 2008 | Por tiagopavan
  1. Tem muita gente procurando este livro no site: Poemas Religiosos e Alguns Libertinos, Manuel Bandeira. http://30porcento.com.br/poemas_religiosos.html
  2. hoje tem a divulgação dos vencedores do Prêmio Jabuti 2008 http://www.premiojabuti.com.br
  3. Os vencedores do prêmio Jabuti 2008 já podem ser conferidos aqui: http://www.premiojabuti.com.br/BR/resultadofase2.php
  4. O melhor livro de ficção e de não-ficção do ano só será divulgado dia 31 de outubro. O prêmio pra estas categorias é graúdo: R$ 30.000,00
  5. Pra quem não conhece, Manoel de Oliveira é um cineasta portugues que completará 100 anos em dezembro.
  6. Ele está gravando um longa metragem baseado num conto de Eça de Queirós. O título do filme vai ser: Singularidades de uma rapariga loira!
Send to Kindle
Últimas

Cinco filmes portugueses serão exibidos no Festival do Rio de 2008 + Manoel de Oliveira

23 setembro, 2008 | Por admin

Manoel de Oliveira - Cosac Naify

Não. O quase centenário cineasta portugues Manoel de Oliveira não é um dos diretores dos cinco filmes que serão exibidos no Festival do Rio de 2008. Eles serão:

Julgamento,  de Leonel Vieira (2007) ;
Aquele querido mês de Agosto, de Miguel Gomes (2008);
Call Girl, de António Pedro Vasconcelos (2007);
The Champion, curta-metragem de Rui Avelans Coelho (2008);
A Corte do Norte, de João Botelho (2008).

Apesar de não contar com um filme seu na mostra, Manoel de Oliveira está gravando um filme baseado num conto de Eça de Queirós; o longa metragem foi batizado de Singularidades de uma rapariga loira. O diretor completará 100 anos de árdua e produtiva existência no próximo dia 12 de dezembro.

Em outubro de 2005 a editora Cosac Naify publicou um livro fundamentado em uma longa entrevista feita em 2004 pelo organizador da Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, Leon Cakoff. É uma edição muito bem acabada organizada por Alvaro Machado e que ainda conta com 34 ilustrações. O livro custa R$ 48,93 no site da Livraria 30PorCento.

Send to Kindle