O capitalismo como religião, novo lançamento deste segundo semestre da editora Boitempo, é uma reunião de dezessete ensaios de Walter Benjamin, organizada e introduzida pelo sociólogo Michael Löwy. Os textos que compõem a antologia datam de 1912 – ano em que Benjamin participou do movimento da “Jugendbewegung”, do qual se afastou no início da Primeira Guerra Mundial –, até os anos mais decididamente militantes, no exílio, de 1933 a 1940. Segundo Löwy, o objetivo é mostrar como Benjamin soube unir, à sua crítica ao capitalismo, elementos provindos tanto do romantismo alemão quanto do messianismo judaico e do marxismo libertário: “A maior parte desses escritos, que versam sobre temas que vão das armas químicas das guerras futuras à condição dos operários na Alemanha nazista, expressa um olhar lúcido, ora irônico ora trágico sobre o mundo ‘civilizado’ do século XX”, diz o prefácio. O ensaio que dá título ao livro, “O capitalismo como religião”, escrito em 1921, é considerado um dos fragmentos mais intrigantes de Benjamin. Nele, Benjamin assimila reflexões de Friedrich Nietzsche, Max Weber, Georg Simmel e do teórico anarquista Gustav Landauer, tecendo uma “crítica romântica da Zivilisation capitalista” que “alimenta algumas de suas principais iluminações profanas”, nas palavras de Löwy. A análise de Benjamin aponta o capitalismo como uma religião cultual que encaminha a humanidade à “casa do desespero”. Continue lendo
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