Arquivo da tag: arte

Artes Plásticas

O boom acabou. Vida longa à arte!

23 fevereiro, 2009 | Por admin

A Folha de São Paulo publicou hoje a tradução de um artigo de 12 de fevereiro que saiu no New York Times, assinado por Holland Cotter. O título original era “The Boom is Over. Long Live the Art”, cuja tradução literal é o título deste artigo. A Folha optou por chamá-lo de “Crise exige mudança no mercado”, e escolheu um subtítulo revelador: “É mais uma vez hora de os artistas terem outros empregos convencionais; o segredo é fazer deles uma fonte de energia”.

Como todos sabem, os artigos da Folha de São Paulo só ficam disponíveis para assinantes do UOL, assinantes da própria Folha ou para quem possuir acesso ao jornal numa banca de jornal. Como o artigo é de suma importância, tomei a liberdade de publicá-lo integralmente:

Crise exige mudança no mercado

No ano passado, a revista norte-americana “Artforum” possuía a espessura de uma lista telefônica, com edições de cerca de 500 páginas, a maioria das quais com anúncios de galerias. A edição atual tem pouco mais de 200 páginas. Muitos anúncios desapareceram.

Com sua reputação duradoura de transações pouco claras e valores inchados, o mercado de arte contemporânea é um organismo vulnerável, tradicionalmente atingido dura e precocemente por qualquer mal-estar econômico. É o que está acontecendo agora. As vendas desaparecem no ar. Carreiras estão minguando. Aluguéis em Chelsea estão sem pagar. O boom que havia deixou de existir.

A diminuição não foi quantitativa, de maneira alguma. Nunca antes houve tanto produto. Nunca antes o mundo americano das artes funcionou com tanta eficiência como indústria de marketing no modelo corporativo, dotada de todos os serviços necessários.

Todos os anos, escolas de arte em todo o país produzem milhares de formandos preparados para o sucesso, gente a quem caberá fornecer produtos desejáveis para as galerias e casas de leilões. Eles contam com o respaldo de hostes de especialistas em relações públicas (também conhecidos como críticos, curadores, editores, publishers e teóricos de carreira), que fornecem informações atualizadas e pontuais sobre o que significa “desejável”.

Muitos desses especialistas fazem parte, direta ou indiretamente, da folha de pagamentos dessa indústria, que é controlada por outro conjunto de profissionais: os marchands, corretores, assessores, financistas, advogados e (figuras cruciais nesta era de feiras de arte) planejadores de eventos, que representam a divisão de marketing e vendas da indústria.

São essas as pessoas que vasculham as escolas de arte, identificam talentos novos, orientam carreiras e, por meio de algum cálculo inescrutável, determinam o que vai vender -e por qual valor.

Não que esses departamentos sejam separados de qualquer maneira: as divisórias éticas não fazem o estilo dessa indústria. Apesar da profissionalização da década passada, o mundo da arte ainda gosta de enxergar-se como um grande e único barco do amor. Noite após noite, críticos e colecionadores consomem jantares pagos por marchands que estão promovendo artistas, ou museus que estão promovendo exposições, com todos juntos à mesa, bajulando uns aos outros, trocando ideias e farpas, pesando as vibrações.

E onde está a arte em tudo isso? Proliferando, mas enfraquecida. A “qualidade”, definida primariamente como habilidade formal, está em voga outra vez, como parte integral de um revival conservador -alguns diriam regressivo- da pintura e do desenho. E ela nos vem dando uma enxurrada de desenhos bem feitos, esculturas engenhosas, fotografias meticulosas e espetáculos cuidadosamente encenados, cada um baseado nos mesmos elementos fundamentais: uma ideia única, embutida no trabalho e exposta na declaração de um artista, e um visual ou estilo feito para captar a atenção tanto quanto o refrão numa canção de rock.

As ideias não variam muito. Durante algum tempo, ouvimos muito sobre o radicalismo da beleza; mais recentemente, sobre a política subversiva da ambiguidade estetizada. Seja o que for, é tudo alimento para o mercado. A tendência chegou a um nadir na véspera da eleição presidencial, quando, com fanfarra triunfalista, o New Museum, em Nova York, expôs uma pintura de Michelle Obama feita por Elizabeth Peyton e a acrescentou à retrospectiva da artista. O intuito promocional da exposição era evidente. E a grande declaração política? Que o establishment das artes votara no partido Democrata.

Expectativas

Os estudantes que ingressaram na escola de arte alguns anos atrás provavelmente terão que sair dela com expectativas drasticamente modificadas. Eles terão que se considerar com sorte se tiverem as facilidades profissionais hoje vistas como algo garantido e certo: a exposição solo numa fase precoce da carreira, as vendas iniciais, a possibilidade de poder viver de sua arte.

Hoje nos EUA é mais uma vez hora de artistas terem outros empregos convencionais para sobreviver, e tudo bem. Os artistas sempre tiveram esses empregos (Van Gogh foi pregador; Pollock, assistente de garçom) e os terão novamente. O segredo é fazer deles uma fonte de energia, e não algo que cansa e exaure.

Ao mesmo tempo, os artistas também poderão tomar conta da fábrica e tornar deles a indústria da arte. Coletiva e individualmente, poderão customizar os equipamentos, alterar os modos de distribuição, ajustar ritmos de produção de modo a permitir crescimento orgânico e mudanças de rumo e objetivo. Poderão fantasiar e se concentrar. Poderão fazer nada por algum tempo, ou fazer alguma coisa e fazê-la errada, poderão fracassar em paz e recomeçar.

Escolas
As escolas de arte também poderão mudar. A meta atual dos programas de ensino prático parece ser estreitar o talento até aguçá-lo para que possa penetrar agressivamente na arena competitiva. Mas, com os mercados incertos, possivelmente inexistentes, por que não afrouxar esse modo?
Por que não fazer do treinamento em ateliês uma experiência interdisciplinar, que se entrecruze com sociologia, antropologia, psicologia, filosofia, poesia e teologia? Por que não embutir em seu programa de estudos um semestre de estudos e trabalho que tire os estudantes totalmente do mundo das artes e os insira em lugares como hospitais, escolas e prisões, às vezes em ambientes extremos -ou seja, na vida real?
Mudanças como essas exigiriam novas maneiras de pensar e escrever sobre a arte, de modo que os críticos teriam que voltar à escola, faltar a algumas festas e mergulhar nos livros e na internet. A discussão sobre a “crise na crítica” percorre o mundo da arte periodicamente, sugerindo uma nostalgia pelos criadores de gosto à moda antiga, como policiais do trânsito.

Mas, se existe uma crise, não é uma crise de poder; é uma crise de conhecimento. Para dizê-lo em palavras simples, não sabemos o suficiente sobre o passado ou sobre quaisquer outras culturas exceto a nossa.

O século 21 quase certamente verá mudanças modificadoras de consciência no acesso digital ao conhecimento e na moldagem da cultura visual. O que os artistas farão com isso?

Será que a indústria da arte vai continuar a agarrar-se ao status analógico tradicional da arte, insistir que o objeto material, comprável é a única forma de arte verdadeiramente legítima, que é o que fez realmente o revival da pintura? Ou os artistas -e os professores e críticos- vão nadar para uma terra que ainda é difícil de localizar nos mapas e fazer dela seu lar e seu local de trabalho?

(Tradução de Clara Allain)

[ad#ad_posts]

Send to Kindle
Artes Plásticas

Exposição Franz Weissmann: Errata

2 fevereiro, 2009 | Por admin

Ontem, dia 1 de fevereiro de 2009, foi o último dia da exposição Franz Weissmann, experimentação e lirísmo, no Instituto Tomie Ohtake, aqui em São Paulo.

Vagando entre as esculturas da exposição, podia-se contemplar, no corredor à direita, ao lado do Cubo Vazado de aço inox, um grande painel informativo. Dividido cronologicamente, o painel contemplava os acontecimentos mais marcantes da década de 1950 nas seguintes categorias: panorama político internacional, panorama artístico internacional, panorama artístico brasileiro, panorama político brasileiro e a biografia de Weissmann.

Olhando de perto o ano de 1951, lia-se, entre os acontecimentos do mundo da arte no Brasil neste ano, o seguinte: “O artista Samson Flexor dá início às atividades do Atelier Abstração, em São Paulo. Integrantes: Waldemar Cordeiro, Luiz Saciolotto, Geraldo de Barros, Lothar Charoux, entre outros.”

Estive pesquisando, nos últimos dias, justamente sobre a criação do Atelier Abstração pelo imigrante romeno Samson Flexor, em decorrência da exposição de Leopoldo Raimo, na Pinacoteca, que foi o primeiro aluno do Atelier.

Surpreendeu-me o fato de não ter achado, ainda, nenhuma referência aos artistas citados pelo texto do painel na pesquisa sobre o Atelier Abstração. Mais surpreendente ainda é, percorrendo o painel, ler o mesmo conjunto de nomes, na mesma ordem, ligados à formação do Grupo Ruptura, em 1952. Esta sim é uma informação correta, mas que sugere o uso do recurso copiar e colar dos nomes dos artistas, sem usar a criteriosa ferramenta da pesquisa bibliográfica.

Se, por acaso, eu cometi uma injustiça tremenda e as informações estão todas corretas, peço imensas desculpas e retrato a palavra empenhada. Caso contrário, resta-me pedir ao curador da exposição, Marcus de Lontra Costa, e a seus pesquisadores, que façam o mesmo.

A Resposta

Senhor Tiago Pavan,

Agradecemos suas observações e retransmitimos resposta do responsável pela cronologia.
Atenciosamente,
Instituto Tomie Ohtake

*****************

Desculpe-nos pelo equívoco.
Realmente houve um erro de digitação e revisão em nosso texto cronológico sobre a década de 1950 nas artes plásticas brasileiras.
Os principais integrantes ou artistas próximos do Ateliê Abstração (1951) dos quais temos notícia foram: Leopoldo Raimo, Jacques Douchez, Norberto Nicola, Wega Nery e Alberto Teixeira.
Por mais que alguns dos artistas que fundaram o Grupo Ruptura em 1952 tenham freqüentado o grupo de Flexor, obviamente não justifica sua menção em nossa linha do tempo como principais participantes do Ateliê Abstração.

Alvaro Seixas

[ad#ad_posts]

Send to Kindle
Últimas

Suplemento Literário do Washington Post

28 janeiro, 2009 | Por admin

“Ainda não foi oficialmente anunciado, mas pessoas que trabalham lá dentro nos disseram, “É oficial. A última edição do Book World será impressa na edição de 15 de fevereiro de 2009. A partir daí, o conteúdo será dividido entre a sessão Outlook (ponto de vista) e a Style & Arts aos domingos. Resenhas de livros diárias no Style ainda vão continuar. Promete-se que haverá 4 páginas adicionais na seção Outlook para cobertura de livros e uma página adicional em Style & Arts. Isto é o equivalente a 12 páginas de tablóide. (A Book World tinha 16 páginas.) As resenhas de Jonathan Yardleys aparecerão no Outlook. As do Michael Dirda no Style. O corpo de funcionários do Book World será mantido sob a coordenação editorial de Rachel Shea.”

Acabei de receber esta notícia, via Twitter, de que o Suplemento Literário Dominical do Washington Post não vai mais ser publicado.

O texto original: http://bookcritics.org/blog/archive/wapo_update_3/

Não sei se alguém aqui costumava ler a folha há uns 5 anos atrás. Mas nós tinhamos, todo sábado, um suplemento literário chamado Caderno de Resenhas. Tinha um projeto gráfico espetacular, o título e as ilustrações eram do famoso artista mineiro Amilcar de Castro, e o corpo editorial era formado pelo pessoal da Filosofia da USP. É terrível ver essas coisas sumindo. Mesmo com o advento da internet, não há como substituir nada que produza informações de altíssima qualidade.

Fica aqui o meu desgosto por mais um suplemento que morre.

[ad#ad_posts]

Send to Kindle
Arquitetura

Yukio Futagawa / Feira de Livros de Artes, Design e Arquitetura na FAU

12 junho, 2008 | Por admin

A livraria 30PorCento esteve – e estará, até sexta feira 13 – representando a Ateliê Editorial na Feira de Livros de Artes, Design e Arquitetura (FADA) na FAU-USP. Coincidentemente, abri o caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo esta manhã e li “Yukio Futagawa cerca com lentes o modernismo” (clique aqui para ler o artigo em PDF), matéria sobre a visita ao Brasil do fundador da revista-referência “Global Architecture“. Além disso, tive a sorte de saber que Futagawa descobriu Vilanova Artigas nesta viagem ao Brasil e que ficou boquiaberto com a FAU-USP; sobre o prédio da faculdade (onde eu me encontrava e onde pude percorrer os olhos a partir do ponto mais baixo da construção para comprovar a admiração do japonês) ele disse: é de uma proeza impressionante como ele (Vilanova Artigas, dono do projeto da FAU) usa o concreto com força, de forma plástica.

No tópico arquitetura a livraria 30PorCento possui 57 títulos:

antoni gaudi
De 42.0 Por 29.4
COSACNAIFY

aprendendo com las vegas
De 55.0 Por 38.5
COSACNAIFY

arquitetura do ferro e arq. ferroviaria em s. paulo
De 60.0 Por 42.0
ATELIE

arquitetura do seculo XX
De 31.0 Por 21.7
COSACNAIFY

arquitetura do tempo
De 58.0 Por 40.6
COSACNAIFY

arquitetura e trabalho livre
De 65.0 Por 45.5
COSACNAIFY

Continue lendo

Send to Kindle
Artes Plásticas

‘Piero della Francesca’ e ‘Dom Quixote’, na Folha de hoje.

8 dezembro, 2007 | Por admin

O lançamento da Cosac NaifyPiero della Francesca, de Roberto Longhi – conquistou a notícia de capa da Ilustrada. Numa escalada pitoresca, saiu da última página na quarta-feira com o livro do arquiteto Marcos Acayaba e conquistou, atrevidamente, a fachada do caderno de cultura da Folha. O jornal entrevistou o historiador e antropólogo italiano Carlo Ginzburg, autor do prefácio desta primeira tradução ao português da obra do também italiano Roberto Longhi.

Obs: Acabo de descobrir que o Estado publicou, com o título de ‘Obras para entender Piero della Francesca: Estudo de Roberto Longhi e ensaio de Braudel explicam época do pintor italiano’, esse lançamento da Cosac Naify há exatamente uma semana atrás, dia 1 de dezembro. Talvez seja uma boa idéia começar a acompanhar o Estadão.

Mais à frente, na página E4, O ‘Engenhoso Cavaleiro d. Quixote de La Macha‘ finalmente dá as caras no lançamento da segunda parte da tradução de Sérgio Molina da Editora 34. Havia muito tempo que me perguntavam em feiras de livro a respeito desse livro, a tão aclamada versão bilíngue com ilustrações de Gustave Doré. A primeira parte foi lançada em 2002; um hiato de 5 anos quase intransponíveis. Façam seus pedidos!

Send to Kindle