Arquivo da tag: modernismo

Literatura

Dos silêncios expressivos

19 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Cornélio Penna (1896 – 1958) foi romancista, além de pintor, gravador e desenhista. Na década de 1930, abandonou as artes plásticas para dedicar-se exclusivamente à literatura. Penna participou da Segunda Fase do Modernismo e criou o realismo psicológico brasileiro. A Menina Morta é considerado um dos romances primorosos da história da literatura no Brasil. O livro, que completa 60 anos em 2014, é composto por histórias caracterizadas por capítulos curtos, desenvolvidas em uma atmosfera de estranheza.

Uma obra que, entre outros temas, fala também da escravidão, escrita em pleno momento desenvolvimentista dos anos 50, no qual a tendência primordial era a de construir uma identidade nacional que fosse pautada pela modernidade e pelo progresso. A menina morta, enquanto interpretação do Brasil, é fragmentária: através sobretudo da voz do narrador, hesitante e escorregadia, pretende encontrar no passado respostas que justifiquem a formação de uma ideia diluída de nação, marcada pela linhagem escravocrata, pela lei patriarcal e pela interdição. Continue lendo

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Artes Plásticas

Oswaldo Goeldi: luz noturna

17 agosto, 2009 | Por admin

Abriu dia 15 de agosto na Caixa Cultural de São Paulo – na Galeria da Paulista, dentro do conjunto nacional – a exposição Goeldi: luz noturna. São aproximadamente 60 obras em xilogravura, livros ilustrados, uma cronologia ilustrada do artista, estudos, registros, manuscritos, cartas, documentos, fotos, objetos pessoais e video com depoimento de gravadores.

Parte do material presente na exposição é inédito graças à cooperação entre o Projeto Goeldi (responsável pro catalogar e autenticar sua obra) e a Associação Goeldi. A curadoria é de Lani Goeldi, sobrinha-neta do artista.

Onde

Exposição ‘Goeldi – Luz Noturna’
Caixa Cultural São Paulo – Galeria Vitrine da Paulista
Conjunto Nacional – Av. Paulista, 2083 térreo – São Paulo (SP)
Entrada: franca
15 de agosto de 2009 a 20 de setembro de 2009

Livros Relacionados

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Arquitetura

Lina Bo Bardi por escrito

16 agosto, 2009 | Por admin

Duas páginas inteiras da Folha de São Paulo de hoje foram dedicadas à memória de Lina Bo Bardi, renomada arquiteta italiana modernista, sempre (e só) lembrada por seu projeto do MASP. Apesar do legado arquitetônico desprezado (na reportagem há um quadro com duas fotos, uma delas é a de um restaurante que não funciona e a da Ladeira da Misericórdia, no Pelourinho, abandonada, ambas em Salvador), um projeto recente da editora Cosac Naify publicou em livro um conjunto de textos (33) escritos por Bardi e recolhidos em periódicos brasileiros e italianos, onde se evidencia a posição da arquiteta como “peça-chave na constituição de um olhar moderno sobre a cultura”.

De temática variada, o conjunto de artigos reunidos “repassam e propõem novos conceitos para temas como habitação, mobiliário, arte popular, museologia, restauro, educação e políticas culturais.” O livro faz parte da Coleção Face Norte, dedicada à teoria e história da arquitetura e coodernada por Cristina Fino.

O MASP, o Sesc Pompéia, o Museu de Arte Moderna da Bahia, a Casa de Vidro no Morumbi e o Teatro Oficina são alguns dos principais projetos de Lina Bo Bardi que podem ser vistos, conservados, pelo Brasil.

Para mais informações sobre o assunto visite o site oficial do Instituto Lina Bo e Pietro Maria Bardi.

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Literatura

Mário de Andrade por José Luís Jobim no IEB

5 agosto, 2009 | Por admin

A coleção pessoal de Mário de Andrade foi adquirida pela USP em 1968 da família do colecionador e destinada ao IEB. A coleção, como descrita no site do IEB, é “composta por livros, separatas, revistas e partituras que abordam temas variados tais como modernismo brasileiro, vanguardas européias, música, folclore e etnografia. Destacam-se na coleção as principais revistas modernistas editadas no início do século XX, livros de arte e livros de luxo ricamente ilustrados.”

A partir deste rico acervo os pesquisadores estudam o processo de criação de Mário de Andrade, estudo este que deu origem a esta conferência que faz parte de um projeto temático FAPESP/IEB/FFLCH-USP. Daí a origem da próxima conferência O Original e o próprio, o derivado e o impróprios: Mário de Andrade e as teorizações sobre trocas e transferências literárias e culturais.

O conferencista é o Prof. Dr. José Luís Jobim, diretor do Instituto de Letras e professor titular da UERJ desde 1994 e professor da UFF. Para mais detalhes acesse sua página na Plataforma Lattes: José Luís Jobim de Salles Fonseca.

Local e Data

10 de agosto de 2009, às 10h
Instituto de Estudos Brasileiros
Av. Prof. Mello Moraes, trav. 8, 140
Cidade Universitária, São Paulo, SP
Tel. 11.3091.3199 / 3091.1149
www.ieb.usp.br
difusieb@usp.br

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Literatura

Mário de Andrade – Cabocolinhos

9 fevereiro, 2009 | Por admin

Em seu diário de viagem de 1928, a bordo da caravana da descoberta do Brasil que Mário de Andrade chamou de trabalho etnográficas, que foi publicado em livro pela Editora Itatiaia e que recebeu o nome de O Turista Aprendiz, há uma entrada no dia 5 de fevereiro de 1928, às 23 horas, na Paraíba:

“Uma das nossas danças dramáticas de que menos se tem falado são os Cabocolinhos. A culpa dessa ausência de documentação vem dos nossos folcloristas, quase todos exclusivamente literários. O que se tem registrado nos nossos livros de folclore é quase que unicamente a manifestação intelectual do povo, rezas, romances, poesias líricas, desafios, parlendas. O resto, moita.
Ora, os Cabocolinhos são caracteziadamente um bailado. Se dança. Não tem cantigas e só de longe em longe uma fala, tão esquematizada, tão pura que atinge o cúmulo da força emotiva. Imaginem só: fazia já mais de uma hora que o pessoal estava dançando, dançando sem parada, com fúria. Matroá é uma das figuras importantes do baile. É o caboclo-velho, de-certo, espécie de pajé da figuração tribal da dança. De-repente Matroá principiou uma coreografia de arquejo, brutal, braço esquerdo engruvinhado, com o arco por debaixo, duas mãos no peito, segurando a vida. Cada vez mais. Curvando, curvando, já levantava os pés custoso. O apito bateu duas feitas, parou tudo. O Reis falou pra Piramingu, Caboclo menino:
‘- Piramingu!
– Sinhô.
– Mataram nosso Matroá.
Tururu, tarára, tururu, tarára…’ A solfa continuou. O bailado se moveu de novo e Matroá foi enrolando uma perna na outra, já não levantava pé do chão mais não. Levou uns 10 minutos se movendo em pé, difícil de morrer como em todos os teatros e na vida.
Isso é que é perfeição! Fiquei tonto. Aquelas palavras puras, só aquilo. Fiquei com dó, não sei como fiquei, fiquei tonto, está certo, numa comoção danada.”

A documentação sobre os Cabocolinhos está nas Danças Dramáticas do Brasil, da Editora Itatiaia; pode ser adquirido na Livraria Cultura por R$100,00.

Há também um vídeo no Youtube cujo título ostenta o nome Cabocolinho. Entretanto, após a leitura do texto descritivo de Mário de Andrade, fica difícil crer que a tal interpretação do Coral Lourdes Guilherme, regido por Ana Judite, aproxime-se sequer da força da dança que Mário de Andrade presenciou naquele 1928.

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Artes Plásticas

Picasso e Gertrude Stein

13 janeiro, 2009 | Por admin

Retrato de Gertrude Stein por Picasso. Óleo  sobre tela.
Retrato de Gertrude Stein por Picasso. Óleo sobre tela. 1906
O quadro acima pertence ao acervo do The Metropolitan Museum of Art, em New York. Na série Mestres da Pintura da Abril Cultural, na edição dedicada à vida e obra de Pablo Picasso, há um capítulo de sua biografia chamada “A Influência Africana”, que começa:

“Em 1906, uma tela marca uma transformação radical na linha pictórica picassiana: O Retrato de Gertrude Stein. Formulado a partir de 80 esboços e concluído sem a presença física da modelo, essa obra, assim como Auto-Retrato e Dois Nus, apresenta uma nova estrutura na composição, marcando o distanciamento do pintor das cadências vagamente humanitárias e elegíacas das fases azul e rosa. Surge um novo mundo, duro e bárbaro.”

e depois, justifica o título do capítulo

“O encontro com a arte negra será decisivo para a confirmação desta atitude. Ao descobrir as máscaras negras, Picasso encontra também uma nova forma de entender a arte, que responde a algumas de suas inquietações. Essa  nova visão do artista é complementada pelo encontro com as máscaras polinésias e a escultura pré-histórica dos celtíberos.”

A escritora norte-americana conheceu Picasso quando este mudou-se para Paris, em 1904. No posfácio que Flora Süssekind escreveu para o livro lançado pela Cosac Naify em novembro de 2008, lemos o seguinte:

“(…)acompanhada de Leo, seu irmão mais próximo, instalaram-se em Paris, na Rue de Fleurus n. 27, em 1903. Aí os dois começam uma coleção de arte e promovem reuniões semanais muito concorridas, criando um círculo de amizades que incluiria Picasso, Guillaume Apollinaire, Georges Braque, Marie Laurencin, Matisse, Erik Satie, Jean Cocteau, e americanos também auto-exilados como Ernest Hemingway, Scott e Zelda Fitzgerald e Paul Bowles.”

Gertrude Stein (1913) por George Eastman House / Getty Images.

Gertrude Stein (1913) por George Eastman House / Getty Images.

O livro Três Vidas, de Gertrude Stein, é o último lançamento da coleção Mulheres Modernistas, da Cosac Naify, e pode ser adquirido com 30% de desconto no endereço abaixo:

http://30porcento.com.br/tres_vidas.html

Três Vidas, de Gertrude Stein. Cosac Naify.

Três Vidas, de Gertrude Stein. Cosac Naify.

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