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história

“Este mundo tem as suas noites, e não são poucas”

16 janeiro, 2018 | Por Isabela Gaglianone
Goya, gravura da série "Caprichos y disparates"

Goya, gravura da série “Caprichos y disparates”

Nas sombras do amanhã: um diagnóstico da enfermidade espiritual de nosso tempo, do historiador Johan Huizinga (1872-1945), foi publicado originalmente em 1935, frente a uma civilização ocidental desmoralizada pela Primeira Guerra Mundial e às portas de uma Segunda Grande Guerra – na qual o autor foi morto, em um campo de concentração na Holanda –, marcada pela polarização política e pela ascensão de regimes totalitários baseados em princípios pseudocientíficos, os maiores sintomas da infantilização dos indivíduos e da decadência geral de toda a cultura europeia. Huizinga intui, quase profeticamente, a derrota das utopias e o estabelecimento de um “mundo esfacelado”, em que os indivíduos são isolados, impotentes contra os grandes regimes e imersos em uma cultura cada vez mais empobrecida pelo tecnicismo e pela falta de um compromisso comum entre os homens.

O livro trata do lúdico, e de sua perda. Lê-se, já na epígrafe da obra: “Este mundo tem as suas noites, e não são poucas”.

Uma bela edição foi publicada no Brasil em 2016, pela Editora Caminhos, com tradução de Sérgio Marinho. Continue lendo

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história

As verdades já são imaginações

8 janeiro, 2018 | Por Isabela Gaglianone

“Longe de se opor à verdade, a ficção não é mais do que um seu subproduto: basta-nos abrir a Ilíada para entrarmos na ficção, como se diz, e perdermos o norte; a única diferença é que a seguir não acreditamos nela. Há sociedades em que uma vez o livro fechado, se continua a acreditar e outras em que se deixa de acreditar”.

Sandro Botticelli, "Palas e o Centauro", c. 1482.

Sandro Botticelli, “Palas e o Centauro”, c. 1482.

O que é o mito? É história alterada? É história aumentada? Uma mitomania coletiva? Uma alegoria? O que era o mito para os gregos? O sentimento da verdade é muito amplo (abrange facilmente o mito), “verdade” quer dizer muitas coisas e pode até abranger a literatura de ficção. Estas são algumas das questões que norteiam o belo e erudito livro do historiador e arqueólogo francês Paul Veyne, Os gregos acreditavam em seus mitos? – Ensaio sobre a imaginação constituinte.

“A partir do exemplo da crença dos gregos em seus mitos”, diz o historiador, “eu me propus então estudar a pluralidade das modalidades de crença: crer na palavra dada, crer por experiência, etc. Por duas vezes, este estudo me projetou um pouco mais longe. Foi necessário reconhecer que em vez de falarmos de crenças, devíamos simplesmente falar de verdades”. Como colocou o escritor Gilles Lapouge, em resenha escrita para o jornal Le Monde, nesse sentido, a verdade “não é mais real que os mitos. Ela é a filha do tempo. Os homens a inventaram como inventam a História. E a verdade de agora é tão alucinada quanto todas as verdades que a precederam”.

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Ele que o abismo viu

8 dezembro, 2017 | Por Isabela Gaglianone
Relevo que representa o deus Marduk, herança babilônica, atualmente no Museu do Louvre.

Relevo que representa o deus Marduk, herança babilônica, atualmente no Museu do Louvre.

O mais antigo registro literário conhecido – anterior a Homero, a Hesíodo e aos textos bíblicos –, a Epopeia de Gilgámesh – Ele que o abismo viu, acaba de ganhar uma excelente edição no Brasil, publicada pela editora Autêntica, com texto traduzido do acádio e anotado pelo professor Jacyntho Lins Brandão.

Ele que o abismo viu é uma das versões do mito de Gilgámesh, atribuída a Sin-léqi-unnínni (séc. XIII a.C.), e tida como a mais completa e importante desta tradição acádia. O poema babilônico foi preservado em tabuinhas de argila que foram descobertas entre 1872 e 2014. O longo texto é ainda fragmentário, porém a edição traduz sua mais ampla reconstrução, baseada em versões críticas recentes que substituíram as anteriores.

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Um dizer rodeado de silêncio

1 dezembro, 2017 | Por Isabela Gaglianone

“[…] seu destino eram as letras”.

Miguel Cabrera, "Retrato de Sor Juana Inés de la Cruz"

Miguel Cabrera, “Retrato de Sor Juana Inés de la Cruz”

Sor Juana Inés de la Cruz ou As armadilhas da fé, de Octavio Paz, acaba de ser lançado no Brasil, em co-edição entre a Editora Ubu e o Fondo de Cultura Económica, com tradução de Wladir Dupont.

Trata-se de um ensaio volumoso, profundo e de difícil classificação: o texto de Paz amalgama biografia, história, antropologia e crítica literária para abarcar a relevância da figura de Sor Juana Inés de la Cruz (1648-1695), considerada a primeira escritora de língua espanhola na América. Através da figura desta interessante e forte mulher, Paz delineia uma fase da história do México, então sociedade católica da Nova Espanha, na segunda metade do século XVII.

O vice-reinado católico da Nova Espanha, constituído no século XVI, avançava do sul dos Estados Unidos até a Mesoamérica, excluindo-se apenas a capitania geral da Guatemala, e, ao lado do vice-reinado estabelecido no Peru, atuou como uma das fontes primordiais de transferência de riquezas para a metrópole espanhola durante quase trezentos anos. É no seio deste contexto que Paz vê a grandeza de Sor Juana, uma das mais extraordinárias personagens da cultura da América, vanguardista e corajosa: uma freira poeta em um mundo encoberto pelo barroco espanhol e pelo sacrifício dos povos indígenas, por dogmas sobrepostos a tradições; sincrético e injusto.

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Calibã e a bruxa

2 agosto, 2017 | Por Isabela Gaglianone

“Por que depois de quinhentos anos de domínio do capital, no início do terceiro milênio, os trabalhadores ainda são massivamente definidos como pobres, bruxas e bandoleiros? De que maneira se relacionam a expropriação e a pauperização com o permanente ataque contra as mulheres? O que podemos aprender sobre o desdobramento capitalista, passado e presente, quando examinado em perspectiva feminina?” - Silvia Federici.

Bruxa voando sobre uma cabra, gravura de Albrecht Dürer, 1501, British Museum

Calibã e a bruxa – mulheres, corpo e acumulação primitiva, importante livro de Silvia Federici, acaba de ganhar uma cuidadosa edição brasileira, pela tão recente quanto promissora editora Elefante, com tradução realizada pelo Coletivo Sycorax. O livro, publicado originalmente em 2004, é referência incontornável para a análise histórica sobre a integração do corpo feminino e da reprodução biológica na máquina de produção capitalista. A autora detalha como a exploração do corpo feminino é inseparável da lógica capitalista, desde seu surgimento ainda medieval, e mostra como a resistência dos corpos e dos saberes propriamente femininos coexiste necessariamente com sua exploração.

Fundamentada em vasta pesquisa documental, iconográfica e bibliográfica, Federici argumenta que os assassinatos cometidos sob a justificativa da chamada caça às bruxas são um aspecto fundacional do sistema capitalista, uma vez que designou às mulheres o papel de “produtoras de mão de obra”, obrigando-as, pelo terror, a exercer gratuitamente os serviços domésticos necessários para sustentar os maridos e os filhos homens que seriam usados como força de trabalho do sistema nascente.

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história

Um viajante escritor no tempo das Cruzadas: o itinerário de Benjamin de Tudela

27 junho, 2017 | Por Isabela Gaglianone

Mapa do século XVI da cidade de Hamadan, desenhado por Matrakçı Nasuh.

O itinerário de Benjamin de Tudela é uma das primeiras obras culturais da Idade Média; as notas deste grande viajante e escritor são o primeiro documento conhecido escrito em hebraico.

Nascido no Reino de Navarra, Benjamin de Tudela [c. 1130-1173], ou rabi Benjamin, empreendeu uma jornada de quase dez anos, durante um dos períodos cruciais da história medieval, entre a Segunda Cruzada – que deu início à reconquista da Península Ibérica – e a Terceira – quando Saladino tomou Jerusalém.

Seu diário de viagem, sobretudo pelo texto objetivo e detalhado, é de grande importância cultural e histórica, pois oferece um relato panorâmico em termos geográficos, religiosos, sociais, políticos e comerciais, a respeito de como viviam os povos asiáticos, africanos e europeus no século XII. Sua viagem antecede a de Marco Polo por cem anos e seu interesse, como comenta J. Guinsburg, “nutriu a imaginação de gerações de leitores judeus e deitou frutos inclusive com uma obra clássica nas letras ídiches, Aventuras de Benjamin III, de Mêndele Mokher Sforim, editada em 1878”; a crônica de Benjamin de Tudela “transpôs desde logo os muros dos guetos, difundindo- se em sucessivas edições hebraicas e traduções latinas”. Trata-se de um importante documento de história cultural hebraica e islâmica, bem como de suas respectivas religiões, suas relações com os cristãos na Idade Média e com a diáspora; sua narrativa difunde-se entre os principais expoentes da Ciência do Judaísmo, como também, desde os humanistas do renascimento, na pesquisa acadêmica sobre o universo medieval.

A editora Perspectiva acaba de publicar a primeira tradução para o português do livro do grande sábio sefardita do século XII. Tanto a tradução, como a organização e as notas são de responsabilidade do erudito J. Guinsburg. Continue lendo

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Ensaios

Histórias de fantasma – uma leitura sobre a ciência sem nome de Aby Warburg

12 junho, 2017 | Por Isabela Gaglianone

Ex libris feito por Warburg para seu amigo Franz Boll, cuja contribuição inestimável foi a publicação da “Sphaera barbarica”, fonte fundamental para a pesquisa do caminho feito pelas concepções astrais helenísticas, da Antiguidade ao Renascimento.

Propomos uma análise panorâmica a respeito de uma das figuras mais enigmáticas da história da arte. Aby Warburg nasceu em 1866, em Hamburgo, no seio de uma família de prósperos banqueiros – o banco Warburg foi fundado no século XVIII e, quando Aby Warburg nasceu, era o maior da Alemanha. Aby era o primogênito e herdaria a responsabilidade pelos bem-sucedidos negócios da família, porém jovem ainda, abriu mão de sua primogenia em favor de seu irmão mais novo, com a condição que este lhe fornecesse, ao longo de toda sua vida, todos os livros que desejasse. Assim nasceu a então maior biblioteca privada da Europa, hoje abrigada pelo Instituto Warburg, em Londres. Na entrada da biblioteca, Warburg gravou o nome “Mnemosyne” e esta antiga deidade pagã, a musa da memória, permeia de maneira peculiar o núcleo de toda sua obra – desenvolvida até seu falecimento, em 1929. Porque a grande questão, para Warburg, diz respeito à influência da Antiguidade na cultura europeia na época do Renascimento: haveria um mito do “Reanscimento”?; o que “renasceu” da Antiguidade no Renascimento?; será que “renasceu”, ou há uma memória freática que pode ser percebida na arte? É o que pretendemos mostrar doravante. Continue lendo

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Literatura

Memórias de Adriano

8 fevereiro, 2017 | Por Isabela Gaglianone

Mausoléu de Adriano, em Roma [atualmente, Castel Sant’Angelo]

Memórias de Adriano, da escritora belga Marguerite Youcenar (1903 — 1987), é uma autobiografia imaginária do imperador romano. Adriano de fato escreveu uma autobiografia que não sobreviveu até nosso conhecimento. Publicada originalmente em 1951, foi a obra de Youcenar que a tornou internacionalmente conhecida.

O romance é escrito em primeira pessoa, em forma de uma carta testamento, escrita por Adriano e endereçada a seu neto adotivo, o futuro imperador Marco Aurélio. Na carta, o imperador produz confissões, à maneira de uma anamnese, e assim faz um balanço de seu próprio tempo e existência, de modo que amalgamam-se suas memórias pessoais às memórias históricas. Através da voz de Adriano, falam inúmeras outras, e o retrato memorialístico de sua personalidade, humana por excelência, é também o retrato de uma época, em rigorosa reconstituição histórica. Sua narrativa associa filosoficamente dimensões sociológica e psicológica.

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lançamentos

O ateísmo não é tão fácil como parece

22 setembro, 2016 | Por Isabela Gaglianone

“[…] a religião segue a trajetória da arte e da sexualidade, dois outros principais elementos do que poderíamos chamar esfera simbólica. Também tendem a passar da propriedade pública para mãos privadas à medida que avança a Idade Moderna. A arte que outrora louvava Deus, lisonjeava um senhor, entretinha um monarca ou celebrava as proezas militares da tribo passa a ser basicamente uma questão de autoexpressão individual”.

Salvador Dalí, da série de gravuras feitas para ilustração de “A Divina Comédia”, de Dante [c. 1960]

Acaba de ser publicado no Brasil o livro A morte de Deus na cultura, de Terry Eagleton, com tradução de Clóvis Marques, pela editora Record. Eagleton investiga as contradições, dificuldades e significados do desaparecimento de Deus na era moderna; de acordo com sua apresentação ao volume: “Este livro fala menos de Deus que da crise gerada por seu aparente desaparecimento. Com isso em mente, parto do iluminismo para no fim chegar à ascensão do Islã radical e à chamada guerra ao terror. Começo mostrando de que maneira Deus sobreviveu ao racionalismo do século XVIII e concluo com seu dramático ressurgimento em nossa época supostamente sem fé. Entre outras coisas, esta narrativa tem a ver com o fato de que o ateísmo de modo algum é tão fácil quanto parece”.

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Guia de Leitura

Corpo na América e alma na África

27 fevereiro, 2016 | Por Isabela Gaglianone

A relação entre raças e classes no Brasil é complexa; relação que reflete o paralelismo histórico entre passado e presente, e a compreensão de que são acepções categoricamente iguais do sistema econômico.

A escravidão, após ter sido proibida em nosso país, não foi, porém, punida. Houve, após 1831, um pacto implícito, cúmplice da continuidade, a partir de então, ilegal, do comércio atlântico de africanos. Segundo o historiador brasileiro Luiz Felipe de Alencastro, como diz em artigo, assim; “Firmava-se duradouramente o princípio da impunidade e do casuísmo da lei que marca nossa história e permanece como um desafio constante aos tribunais e a esta Suprema Corte. Conseqüentemente, não são só os negros brasileiros que pagam o preço da herança escravista.

O comércio humano do tráfico negreiro justifica por um lado o início da história da pobreza no Brasil. Por outro, a eterna condição estrangeira dos descendentes de escravos, cuja consequência é a pouca integração econômico social, crônica, insolúvel, a despeito de sua maioria numérica no país.

Para Alencastro, as raízes do Brasil não devem ser buscadas em nosso próprio território, mas numa zona econômica formada entre o solo brasileiro e o africano – zona híbrida, luso-brasileira, luso-africana: trajeto do tráfico negreiro. De acordo com o historiador, pode-se “com muita razão dizer que o Brasil tem o corpo na América e a alma na África”.

Propomos um encontro desta afirmação com a análise de Florestan Fernades: “a Abolição constitui um episódio decisivo de uma revolução social feita pelo branco e para o branco”; afirmação que assim explica: “Primeiro, porque o ex-agente de trabalho escravo não recebeu nenhuma indenização, garantia ou assistência; segundo, porque se viu, repentinamente, em competição com o branco em ocupações que eram degra­dadas e repelidas anteriormente, sem ter meios para enfrentar e repelir essa forma mais sutil de despojamento social”.

Afinal, qual a dimensão do legado da escravidão para a formação social brasileira?

 

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história

Micro-história

28 maio, 2015 | Por Isabela Gaglianone
fotografia de Sâo Paulo, entre as décadas de 1930 e 40.

fotografia de Sâo Paulo, entre as décadas de 1930 e 40.

Uma pesquisa de história cuja investigação começou por uma lembrança da infância. O crime do restaurante chinês, do historiador Boris Fausto, recorre aos arquivos da história e de sua memória pessoal para narrar um dos acontecimentos policiais mais comentados da história paulistana. Ele era ainda menino quando, logo após um animado carnaval de rua, ouviu a rumor que se espalhava pela cidade: um homem negro era acusado de matar o ex-patrão e mais três pessoas com terríveis golpes de pilão.

A escrita de Boris Fausto narra todo o processo policial investigativo com a desenvoltura de um romance.  Continue lendo

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história

História das ideias

20 maio, 2015 | Por Isabela Gaglianone
Gilberto Freyre

Gilberto Freyre

O livro Cenário com retratos – Esboços e perfis, de Antonio Arnoni Prado, reúne ensaios que investigam a trajetória, tanto pessoal como criativa, de autores brasileiros, para refletir, a partir delas, sobre a maneira como são traçados historicamente no Brasil os percursos em busca da autonomia intelectual.

Alguns dos autores analisados são Lima Barreto, Mário de Andrade, Gilberto Freyre e Erico Verissimo. Arnoni Prado, que é professor da Unicamp, traça aqui um interessantíssimo panorama, tecendo uma crítica literária, cultural e histórica. Seu cenário – a constituição histórica e social – do Brasil é, pois, pontuado por retratos de figuras marcantes da cultura brasileira.

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lançamentos

Crítica, história e literatura

22 abril, 2015 | Por Isabela Gaglianone
gravura de Evandro Carlos Jardim

gravura de Evandro Carlos Jardim

Em Dois letrados e o Brasil nação – A obra crítica de Oliveira Lima e Sérgio Buarque de Holanda, Antonio Arnoni Prado desenvolve uma interessante contraposição entre as trajetórias dos críticos e historiadores Manuel de Oliveira Lima (1867-1928) e Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982).

O livro, cuja publicação havia sido anunciada alguns anos atrás, acaba de ser lançado pela Editora 34. Nele, Arnoni Prado, para analisar os momentos e processos fundamentais na formação e consolidação da crítica literária brasileira, examina as vertentes lógicas mais atuantes na dinâmica cultural do Brasil: de um lado, arranjos retóricos conservadores, de outro, os movimentos críticos libertários.

Para a composição da reflexão que encaminha o livro, o autor imergiu na vida e na obra dos dois autores, acompanhando seus percursos intelectuais. Continue lendo

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Guia de Leitura

Livros que tratam da história do riso e da história das reflexões sobre os seus desdobramentos intelectuais, morais e sociais

17 abril, 2015 | Por Isabela Gaglianone

Ao longo dos séculos o homem tem teorizado de maneiras diferentes a função e as motivações do riso. Escárnio, zombaria, caricaturas, bufonaria tem sentidos críticos ácidos e profundos: o homem reflete enquanto ri, portanto a história do riso é também uma história das ideias.

 

Georges Minois, “História do riso e do escárnio”

O historiador Georges Minois em História do riso e do escárnio perpassa as diferentes utilizações, ao longo dos séculos, do riso e do humor pela humanidade. O autor pesquisa, assim, a relação entre o desenvolvimento humano social e psicológico e as formas de humor. Para ele, a exaltação ou condenação de formas de humor por determinadas épocas são indicativos de suas respectivas visões de mundo. Continue lendo

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matraca

Revoluções

14 abril, 2015 | Por Isabela Gaglianone

“Estou convencido de que as fotos de revoluções – sobretudo se foram interrompidas ou vencidas – possuem uma poderosa carga utópica” – Michael Löwy.

Revolução Mexicana - "Mujer con bandera", fotografia de Tina Modotti, 1928

Revolução Mexicana – “Mujer con bandera”, fotografia de Tina Modotti, 1928

Revoluções é uma compilação de fôlego, desenvolvida por Michael Löwy, dos principais registros fotográficos de processos revolucionários, do final do século XIX até a segunda metade do século XX. Além da documentação iconográfica, este interessante livro traz textos que narram os acontecimentos, escritos por intelectuais como Gilbert Achcar, Rebecca Houzel, Enzo Traverso, Bernard Oudin, Pierre Rousset, Jeanette Habel e o próprio Löwy.  Continue lendo

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