matraca

Tradição e traumatismos

17 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Antonio Candido é um dos mais relevantes intelectuais do país. Dentre suas obras, consideradas estudos críticos fundamentais para a teoria literária, A formação da literatura brasileira é uma referência que vem dando as diretrizes para os estudos de literatura no país, das escolas às universidades. Candido iniciou seus estudos na área de sociologia e essa bagagem teórica conferiu a suas reflexões literárias um dimensionamento mais abrangente. O contrário também pode ser dito: sua tese Os parceiros do Rio Bonito surgiu do desejo de analisar as relações entre literatura e sociedade, partindo de uma pesquisa sobre a poesia popular do Cururu – uma dança cantada do caipira paulista – cuja base é um desafio sobre os mais vários temas, em versos de rima constante, denominada carreira, que muda depois de cada rodada.  Continue lendo

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Literatura

Como o brilho da chuva

14 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Essa coisa brilhante que é a chuva, livro de contos de Cíntia Moscovich, foi o vencedor do Prêmio Portugal Telecom na categoria contos/crônicas – na categoria poesia, o vencedor foi Eucanaã Ferraz e na categoria romance, José Luiz Passos. Essa coisa brilhante que é chuva também foi um dos vencedores do Prêmio Literário da Fundação Biblioteca Nacional em 2013 – prêmio em que, na categoria de romance, o vencedor foi Opisanie Swiata, de Veronica Stigger. Esse foi o sétimo livro de Cíntia Moscovich publicado. As narrativas giram em torno sobretudo de laços familiares instáveis, um tema recorrente em sua obra, e de personagens confrontados com as limitações de  seus próprios corpos, todos os contos permeados de maneira interessante por temas corriqueiros.

O livro é composto de uma maneira que lembra um longo poema Continue lendo

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Crítica Literária

A antropofagia contra o arcabouço recalcado

13 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Em Oswald canibal Benedito Nunes apresenta o caráter específico da antropofagia oswaldiana como conceito de desmistificação da história escrita e de crítica à sociedade patriarcal a que deram origem os cânones da história; Benedito mostra como Oswald antecipou intuitivamente toda a dialética do Modernismo brasileiro.

Em seu Manifesto Antropofágico, Oswald defendia que o “instinto caraíba” devorasse todas as “consciências enlatadas”, as “escleroses urbanas” e supostas verdades missionárias (segundo a as palavras de Raul Bopp, em Vida e Morte da Antropofagia). Assim ele expôs a necessidade de um confronto que gerasse bases mais independentes para a identidade nacional, pois sua percepção era a que “a nossa independência ainda não foi proclamada”. O manifesto termina apontando a deglutição do bispo Sardinha como um evento-chave; Continue lendo

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matraca

Inacabado

12 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

 

“Como deixar a marca do seu caminho em um mundo que devora tudo tão rapidamente? Acho que o que persigo é dar voz às pessoas, objetos e lembranças que não teriam espaço no mundo dos grandes espetáculos. Persigo alguma permanência em um espaço em que tudo se dissolve”.

 

O poeta e jornalista mineiro Donizete Galvão teve durante sua vida sete livros publicados, entre os quais Azul Navalha (1998), que lhe rendeu o prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Arte) e indicação para o Prêmio Jabuti, e, mais recentemente, O Homem Inacabado (2010), livro que foi finalista do Portugal Telecom e segundo colocado no Prêmio da Bienal de Poesia de Brasília.

Um poeta sensível à brutalidade da vida urbana, que conscientemente fugiu do puro do esteticismo vazio e optou por versos tradicionais, compostos sem o experimentalismo de alguns contemporâneos: “Não sinto essa necessidade imperiosa de ser experimental para estar em sintonia com o caos contemporâneo. No meio dessa avalanche de videoclipes, citações, paródias, me parece que querer desestruturar a linguagem seja mais conservador”, Continue lendo

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fotografia

Amazônia

11 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Pedro Martinelli (foto de “Amazônia O Povo das Águas”)

Amazônia O Povo das Águas é o resultado material de uma pesquisa fantástica do fotógrafo Pedro Martinelli. Além de fotos lindas, o livro traz um trabalho de pesquisa profundo, baseado em muitos anos de imersão do fotógrafo, identificando as principais situações dos povos ribeirinhos.

Pedro Martinelli trabalhou como fotojornalista em vários jornais brasileiros e foi chefe do Estúdio Abril por onze anos. Foi o primeiro fotógrafo a captar uma imagem de um índio paraná Sôkriti, em 1973, na primeira vez em que um membro da tribo ficou frente a frente com um dos expedicionários da expedição pacificadora encabeçada pelos irmãos  Villas Bôas no norte de Mato Grosso e sul do Pará. A viagem tinha por objetivo estabelecer o primeiro contato com os índios kranhacarores, que somente anos depois descobriu-se chamarem panarás. Os panarás ocupavam uma área de floresta pela qual passaria a BR-163, a Cuiabá-Santarém. Martinelli foi enviado pelo jornal O Globo para cobrir a épica viagem dos sertanistas e desenvolveu uma forte afinidade com Cláudio, o mais arredio, sagaz e idealista dos irmãos: “Ele foi meu pai de mato”, disse. “Quando conseguimos fazer o contato, um dos índios ficou na minha frente por apenas dois segundos. Bati duas fotos. A primeira saiu fora de foco e a segunda perfeita”, ele lembra. A foto foi tirada em 1973. Vinte e cinco anos depois, porém, Martinelli voltou à aldeia e encontrou uma cidade fantasma. “Nesse ritmo, a Amazônia acabará em 30 anos”. Há registros em seu blog.

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Literatura

O tempo, a loucura: entrelaçamentos

10 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

 “Foi um grande desvio que me levou até esse ponto. E o que aconteceu depois é difícil de relatar numa linguagem mais ordenada. Espero que me entendam”.

 

O escritor pernambucano José Luiz Passos é o autor do elogiado romance O sonâmbulo amador, pelo qual venceu o Prêmio Portugal Telecom de Literatura em Língua Portuguesa de 2013. Passos é professor na Universidade da Califórnia, onde fundou o Centro de Estudos Brasileiros. No Brasil, já tinha publicado um primeiro romance, Nosso grão mais fino, além de dois livros de crítica literária: Ruínas de Linhas Puras (publicado em 1998 pela Annablume), que reúne quatro ensaios sobre Macunaíma, e, mais recente, o ensaio Machado de Assis – O romance com pessoas (publicado em 2008 pela Edusp).

O sonâmbulo amador apresenta a história de um funcionário de uma indústria têxtil pernambucana, narrada depois de seu surto psicótico. Interessante desde o título – o inusitado “amador” qualificando um “sonâmbulo” cria uma imagem engenhosa –, o livro foi inspirado em uma visita de Passos a um armeiro húngaro, no Recife. O protagonista, Jurandir, apenas alguns dias antes de se aposentar como chefe de segurança, empreende uma viagem ao Recife para resolver um processo trabalhista. Sua jornada, porém, torna-se um pesadelo: sem motivos prévios ou aparentes, ele incendeia o carro da empresa e perde o controle de suas ações.

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matraca

Intelectualidade e totalitarismo

7 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Mente CativaCzesław Miłosz realiza uma análise profundamente séria sobre a situação intelectual gerada pelo domínio das grandes ideologias. Sua denúncia aponta os círculos intelectuais servis: “A principal característica desse intelectual é seu medo de pensar por si mesmo”. Inspirado no período de sua vida que viveu sob o totalitarismo comunista na Polônia, após a Segunda Guerra, Miłosz reúne no livro uma série de ensaios através dos quais mostra como alguns intelectuais, originalmente sem afinidades ideológicas com o partido governante, aos poucos foram completamente convencidos – servos voluntários de um sistema que, na realidade, simplesmente não abre o menor espaço à autonomia de consciência, quer estética ou política.

Conforme as próprias palavras de Miłosz, em Mentes Cativas, ele procurou “criar separadamente os estágios sobre os quais a mente dá passagem à compulsão do nada”. Segundo a análise de Nelson Ascher, “é um dos livros indispensáveis do século XX”, pois “disseca um tipo moderno de política – o totalitarismo – que pretende se sobrepor à vida individual, conquistando-a e ocupando-lhe todas as esferas”.

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Literatura

Antiterapias

6 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

O outro título vencedor do prêmio Prêmio São Paulo de Literatura na categoria “livro do ano de autor estreante”, Antiterapias, de Jacques Fux, propõe-se a criar, antes de tudo, um diálogo com a literatura.

A narrativa desenrola-se misturando as histórias de vida do protagonista a referências literárias que não são indicadas, mas incorporadas à sua fala enquanto pensa sobre si e sobre suas memórias. Entre testemunho de lembranças, elementos ficcionais, fatos históricos, bíblicos e literários, desnovela-se a biografia de um jovem judeu, que busca seu lugar no mundo, tentando pensar-se em relação à diáspora judaica e aos guetos contemporâneos.  Continue lendo

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Literatura

Labirinto de si

5 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Um dia a menos. Outro dia a menos. Um dia a menos. Outro dia a menos. Tudo o que se viveu. O tempo que nos resta. Ninguém faz essa conta aos quinze anos. Será que nos abandonamos à loucura num momento de contabilidade?

 

Em novembro do ano passado o Prêmio São Paulo de Literatura pela primeira vez dividiu a categoria “livro do ano de autor estreante” em duas subcategorias, autor com menos de quarenta anos e autor com quarenta anos ou mais. A novidade veio acompanhada por outra: ambos os prêmios da categoria foram conferidos a autores publicados por editoras independentes. O matemático e escritor mineiro Jacques Fux, de 36 anos, foi premiado pelo romance Antiterapias, publicado pela editora Scriptum, de Belo Horizonte, e a paulista Paula Fábrio, de 43 anos, ganhou o prêmio por Desnorteio, lançado pela editora Patuá. Continue lendo

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cinema

Cinema político e poético

4 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

fotografia: Abbas Kiarostami

Reeditado no final do ano passado, o livro Abbas Kiarostami é a primeira publicação no Brasil consagrada ao diretor iraniano. O volume reúne mais de cinquenta fotos realizadas no Norte do Irã, três textos de autoria do próprio Abbas Kiarostami, além da relação completa de sua filmografia, comentada. Os textos foram separados numa seção intitulada “Duas ou três coisas que sei de mim”, que compreende: “Fotografia e natureza”, no qual o diretor fala sobre sua atividade fotográfica, sobre suas concepções sobre a arte do enquadramento e sobre a paixão pela natureza; “No trabalho”, uma autobiografia, desde a fundação do departamento cinematográfico estatal Kanun até a concepção de seus longas-metragens; “Uma boa boa cidadã”, crônica emocionante sobre a “perseguição” do cineasta a uma menina de rua na Avenida Paulista, que remexe as lixeiras à procura de comida; e, por fim, quatro poemas inéditos.

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matraca

Ali repousa o poeta

3 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Poética

conciso? com siso

prolixo? pro lixo

 

O poeta José Paulo Paes foi mestre da concisão precisa, própria dos epigramas, aquele tipo de poema curto e mordaz cuja matéria-prima é uma atenta observação do mundo e do ser humano.

Modesto, discreto, estóico, irônico – em sua vida e em sua poesia. Rodrigo Naves, no prefácio à antologia, conta que “José Paulo Paes (1926-1998) era um homem avesso a ênfases – no escrever, no falar, no proceder. Detestava chamar atenção, e seu comportamento discreto era, em um homem constante, talvez a constância predominante. Em situações sociais parecia se ocupar sobretudo com sua bengala…”. Com uma fina auto-ironia, José Paulo Paes declarou, por exemplo, ser o poeta mais importante da sua rua: “Mesmo porque a minha rua/ é curta”. Ele não se colocava entre os grandes mestres da poesia brasileira: “quando penso que alguém da grandeza de Manuel Bandeira se considerava um poeta menor, que mais posso ser senão um mínimo poeta?”. O crítico Davi Arigucci Jr. pontua: “Na poesia como na vida, José Paulo Paes optou sempre pela discrição e o comedimento de quem desconfia das exaltações visionárias e das certezas inabaláveis. Ao seu primeiro livro, deu o título O Aluno. Seu último poema, escrito na véspera da morte, chama-se ‘Dúvida’. Ser poeta para ele era um modo de continuar até o fim sua busca de aprendiz”.

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Literatura

Leitura alegórica da linguagem transparente

31 janeiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

 

 

“A descoberta não me espantou e

tampouco me surpreendi ao retirar

do bolso o dono do restaurante”.

 

 

Murilo Rubião foi um autor que preferiu reescrever exaustivamente seus textos, a produzir uma obra extensa. Publicou 33 contos, que a Companhia das Letras reuniu nesta antologia. Sua literatura é conhecida pelo caráter absurdo que imiscui-se ao cotidiano – seus personagens lidam com o fantástico com a mais pura naturalidade. Nas palavras de Jorge Schwartz, na literatura de Rubião “acontecimentos referencialmente antagônicos e inconciliáveis conciliam-se tranqüilamente pela organização da linguagem. Dragões, coelhos e cangurus falam, mas não há mais o clássico “enigma” a ser desvendado no final”. Para Schwartz, “o fenômeno fantástico de sua escrita é justificado na medida em que há a percepção dos níveis simbólicos e alegóricos de significação”, e as simbologias despertadas em seus contos, segundo o crítico fazem com que o elemento extraordinário não seja “a presença dos dragões no meio humano, mas a condição do meio e das relações nele criadas. Aqui um paralelismo possível com as obras de Kafka. Na Metamorfose o fantástico deixa de ser Gregório, convertido em monstruosa barata e fantásticas são as reações da família diante do fato. Em Murilo e Kafka, o código social possibilita a leitura ideológica e não se trata de simples recriação na leitura do fantástico”.

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matraca

Presença de uma ausência

30 janeiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Como sugere o título, neste livro são analisadas três categorias centrais do pensamento benjaminiano – rastro, aura e história. O livro é fruto de um trabalho produzido coletivamente pelo Núcleo Walter Benjamin, coordenado por Georg Otte e Élcio Cornelsen, entre outros, e que, desde 2006, vem dedicando-se a pesquisar e divulgar os trabalhos do pensador alemão. Em forma de ensaios são reunidos, nesse volume, as principais comunicações proferidas durante o segundo Colóquio Internacional do núcleo, realizado em 2010 na Universidade Federal de Minas Gerais e intitulado “Spuren: rastros, traços, vestígios”. O livro conta ainda com preciosas contribuições de convidados, o que o torna amplo e diversificado. Há reflexões teóricas exclusivamente benjaminianas, tais como as de Rolf-Peter Janz e de Jeanne Marie Gagnebin, que, num viés filosófico, procuram delimitar os conceitos de aura e de rastro. Há trabalhos comparativos que estabelecem relações entre Benjamin e outros pensadores. Há ainda trabalhos que relacionam conceitos e formulações de Benjamin usados na abordagem de diferentes realidades, como Márcio Seligmann-Silva, que usa o conceito de rastro para abordar a obra da artista plástica Regina Silveira, ou Willi Bolle, que procura ler a cidade de Belém a partir dos mesmos protocolos que Benjamin mobiliza para ler Paris, na obra das Passagens.

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Literatura

Sátira e censura

29 janeiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Mikhail Bulgákov (1891-1940) foi um dos maiores autores russos do século XX e um dos intelectuais que sofreram dura perseguição da censura vigente no país durante o regime de Stalin. Em meio ao domínio, exigido pelo governo, de uma literatura realista-socialista, Bulgákov misturava o fantástico à sátira, bruxas e diabos a burocratas e espiões. Mais conhecido por seu romance O Mestre e Margarida, o autor deixou a medicina pela literatura. Graças à sua verve satírica, suas narrativas e peças de teatro tornaram-se rapidamente populares e, o autor, implacavelmente censurado.

O diabo solto em Moscou é um estudo biográfico de fôlego sobre Bulgákov, feito pelo estudioso da literatura russa e tradutor Homero Freitas de Andrade – professor no Departamento de Línguas Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP. O livro conta também com uma ótima antologia de contos e novelas, escritos entre 1919 a 1929, reunidos pela primeira vez em português, traduzidos por Andrade diretamente do russo. Continue lendo

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Anatomia da melancolia

28 janeiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

A anatomia da melancolia, de Robert Burton, obra de grande repercussão escrita no século XVII, define a melancolia como “um tipo de loucura sem febre, tendo como companheiros o temor e a tristeza, sem nenhuma razão aparente”. A editora da Universidade Federal do Paraná publicou, pela primeira vez no Brasil, uma cuidadosa tradução da obra integral, feita por Guilherme Gontijo Flores, professor de latim na mesma universidade. Os quatro volumes reúnem quase duas mil páginas, entre as quais, centenas dedicadas às notas da edição brasileira, nas quais se encontram citações e referências a uma verdadeira multidão de autores, desde poetas clássicos tais como Virgílio e Horácio, prosadores como Juvenal, Tucídides e Apuleio, a Bíblia e Santo Agostinho, até inúmeros tratadistas, versejadores, viajantes, comentadores, médicos e santos.

Ao longo do livro, a melancolia é apresentada como uma doença de múltiplas definições, inumeráveis efeitos e causas divididas em várias camadas. Burton, que não era médico, mas erudito, procurou organizar o conhecimento sobre a doença com a divisão da obra em quatro partes. As causas da melancolia e as curas para a doença ganham um volume cada, com muitas subdivisões, entre membros, partes e seções, que justificam o título de “anatomia”.

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