Arquivo da tag: fotografia

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Ressaca tropical

18 janeiro, 2017 | Por Isabela Gaglianone

Fotografia da exposição “Ressaca Tropical”, de Jonathas Andrade

Ressaca tropical é a apresentação em forma de livro da exposição homônima do artista alagoano Jonathas de Andrade. A edição, publicada pela Editora Ubu, foi graficamente preparada pela designer Elaine Ramos.

O artista encontrou um caderno anônimo no lixo, um diário que em que o narrador fala sobre amores e conflitos com o trabalho e em que tece reflexões íntimas a respeito de seu cotidiano, entre os anos de 1973 a 1979, em Recife. Andrade editou trechos do diário, compondo-o por entre fotografias de vistas aéreas do Recife em preto e branco da coleção do fotógrafo Alcir Lacerda, fotos em negativo colorido de um acervo amador, imagens de arquivo da Fundação Joaquim Nabuco e fotografias de prédios modernistas dilapidados feitas pelo próprio Andrade em 2008.

As imagens formam uma narrativa da história de Recife na década de 1960: os diferentes ângulos da cidade nas décadas de 50 e 70, edifícios modernistas semiabandonados registrados entre 2008 e 2009, contrapõem-se a cenas cotidianas da praia, marcadas por pungentes tropicalidade e desejo. Continue lendo

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Reportagem literária

13 abril, 2015 | Por Isabela Gaglianone

“Seres humanos, com a ajuda de mulas, trabalhavam essa terra para que pudessem viver. A esfera de poder de uma só família humana e uma mula é pequena; e dentro dos limites de cada uma dessas pequenas esferas a essencial fragilidade humana, a chaga finalmente morta que é viver e a força indignada para não perecer, ergueram contra suas circunstâncias hostis esta casca de ferida, este abrigo para uma família e seus animais”.

fotografia de Walker Evans

fotografia de Walker Evans

Para a realização de uma longa reportagem para a revista Fortune, o repórter, ficcionista, poeta, roteirista e critico de cinema James Agee e o fotógrafo Walker Evans perpassaram as entranhas do sul dos Estados Unidos, em 1936, com o intuito de retratar os efeitos da Grande Depressão que devastava o país. Ao longo de quatro semanas, os dois conviveram intimamente com três famílias de trabalhadores rurais das fazendas de algodão do Alabama, para retratar suas condições de vida brutais e miseráveis.

A matéria nunca chegou a ser publicada na imprensa: tornou-se de uma vez livro. O texto foi reescrito, repensado e refinado ao longo dos anos seguintes e finalmente lançado em 1941 sob o título Elogiemos os homens ilustres. Continue lendo

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Transes carnavalescos

13 fevereiro, 2015 | Por Isabela Gaglianone

O belo livro Antropologia da face gloriosa traz uma seleção de 161 fotos da famosa série de Arthur Omar de retratos feitos durante o carnaval carioca. Publicado em 2003, o livro reúne fotografias realizadas entre 1973 e 1996 e conta com um ensaio escrito pela crítica de arte Ivana Bentes, segundo quem, “Em “Antropologia”, o rosto se torna um campo de batalhas transcendentais”. O trabalho de Omar, aqui, torna o carnaval metafórico e os, retratos, tornam-se máscaras vivas em um teatro por um lado, trágico, por outro, extasiante.

As fotografias interpretam o delírio carnavalesco brasileiro, em instantâneos que capturam o transe nas ruas e cujo trabalho de edição lhes confere força simbólica e estética.

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Significar o mundo

6 novembro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Fotografar é segurar o fôlego quando todas as nossas faculdades se conjugam diante da realidade fugidia; é quando a captura da imagem representa uma grande alegria física e intelectual.

Henri Cartier-Bresson

Henri Cartier-Bresson escreveu alguns significativos textos sobre fotografia. O imaginário segundo a natureza é a primeira publicação que reúne os mais conhecidos e comentados deles em um único volume. Figuram, entre os textos selecionados, o certeiro “O instante decisivo” e o belo “Os europeus”. Há também artigos em que Bresson discorre sobre suas viagens a Moscou e China, textos que carregam a intensidade dos trabalhos fotográficos decorrentes. Outros artigos, são dedicados a artistas que foram seus amigos, como André Breton, Alberto Giacometti e Jean Renoir.

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A semântica do enquadramento

24 outubro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

fotografia de Milton Guran, índios Kayapo, 1990.

O livro Linguagem Fotográfica e Informação, do fotógrafo e antropólogo Milton Guran, investiga o que faz a contundência de uma imagem fotográfica; desenvolvendo o conceito de “foto eficiente”, situa sua reflexão em um entroncamento ético e estético.

Pensando a evolução técnica da fotografia e dos equipamentos fotográficos e seus usos, quer artísticos, quer documentais enquanto informativos ou midiáticos, ele baseia sua argumentação na análise dos processos de significação da própria linguagem fotográfica, a partir da crítica à composição da imagem.

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Entre o mundo e a câmera

1 outubro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

“La importancia de la fotografía no sólo reside en el hecho de que es una creación, sino sobre todo en el hecho de que es uno de los medios más eficaces de moldear nuestras ideas y de influir en nuestro comportamiento”. 

Gisèle Freund, auto-retrato.

La fotografía como documento social, da fotógrafa e estudiosa da fotografia Gisèle Freund, é um trabalho profundo que, publicado originalmente em 1974 – sob o título Photographie et Societé –, foi base para o desenvolvimento da reflexão sobre fotografia como conceito.

Freund pensa a fotografia à luz de sua história sociológica, política e artística. Mais do que simples técnica, a fotografia é aqui interpretada como elemento singular de conhecimento, localizada no entroncamento entre informação e arte.  Continue lendo

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Texturas, figuras, horizontes fluviais

26 junho, 2014 | Por Isabela Gaglianone

fotografia de Marcel Gautherot

Lançado paralelamente à exposição Marcel Gautherot – Norte, que foi realizada nos centros culturais do Instituto Moreira Sales em 2009 e 2010, o livro homônimo apresenta 72 fotografias de Gautherot, com textos de apresentação de Milton Hatoum e Samuel Titan Jr., que foram curadores da mostra.

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Documentos líricos

27 maio, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Foto de Maureen Bisilliat, do livro “Xingu”

“Ninguém ignora o que se passa com o índio. Mas, para mostrar seu drama, não é necessário expor só a degradação, a decadência. É igualmente importante deixar patente o quanto ele foi belo, digno e forte, e a grandeza do que está sendo destruído” – Orlando Villas Bôas.

A inglesa Maureen Bisilliat descobriu a fotografia através da literatura brasileira. Chegou ao Brasil em 1952, após ter estudado pintura em Paris e Nova York. Aqui, trocou a pintura pela fotografia. Um de seus belos, poéticos e profundos  livros sobre a cultura brasileira é este Xingu – Território Tribal, realizado em parceria com os irmãos Villas Bôas

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Amazônia

11 fevereiro, 2014 | Por Isabela Gaglianone

Pedro Martinelli (foto de “Amazônia O Povo das Águas”)

Amazônia O Povo das Águas é o resultado material de uma pesquisa fantástica do fotógrafo Pedro Martinelli. Além de fotos lindas, o livro traz um trabalho de pesquisa profundo, baseado em muitos anos de imersão do fotógrafo, identificando as principais situações dos povos ribeirinhos.

Pedro Martinelli trabalhou como fotojornalista em vários jornais brasileiros e foi chefe do Estúdio Abril por onze anos. Foi o primeiro fotógrafo a captar uma imagem de um índio paraná Sôkriti, em 1973, na primeira vez em que um membro da tribo ficou frente a frente com um dos expedicionários da expedição pacificadora encabeçada pelos irmãos  Villas Bôas no norte de Mato Grosso e sul do Pará. A viagem tinha por objetivo estabelecer o primeiro contato com os índios kranhacarores, que somente anos depois descobriu-se chamarem panarás. Os panarás ocupavam uma área de floresta pela qual passaria a BR-163, a Cuiabá-Santarém. Martinelli foi enviado pelo jornal O Globo para cobrir a épica viagem dos sertanistas e desenvolveu uma forte afinidade com Cláudio, o mais arredio, sagaz e idealista dos irmãos: “Ele foi meu pai de mato”, disse. “Quando conseguimos fazer o contato, um dos índios ficou na minha frente por apenas dois segundos. Bati duas fotos. A primeira saiu fora de foco e a segunda perfeita”, ele lembra. A foto foi tirada em 1973. Vinte e cinco anos depois, porém, Martinelli voltou à aldeia e encontrou uma cidade fantasma. “Nesse ritmo, a Amazônia acabará em 30 anos”. Há registros em seu blog.

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Martin Parr – fotógrafo britânico

12 maio, 2009 | Por admin

Daqui a pouco, às 19h30, o fotógrafo britânico Martin Parr dará uma palestra gratuita no MIS, em São Paulo. Neste horário o trânsito é caótico na região dos jardins e arredores, o que torna o acesso dificílimo a este evento. Felizmente, o pessoal do jornalismo multimídia independente da Garapa resolveu transmitir ao vivo a fala de Martin Parr. O endereço é:

http://www.garapa.org/martin-parr-ao-vivo/

Martin Parr - Magnum

Martin Parr - Magnum

Acompanhe o evento também pelo twitter através da tag: #martinparr

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Aurélio Becherini [Cosac Naify]

13 janeiro, 2009 | Por admin

A Revista da Cultura – publicação mensal gratuita da Livraria Cultura – de janeiro de 2009 ostenta em sua quarta capa um belíssimo anúncio da editora Cosac Naify. Seguindo a tradição P&B (preto e branco) da editora, o anúncio publicitário é sobre o próximo lançamento em comemoração ao aniversário de 455 anos da cidade de São Paulo, dia 25 de janeiro. Veja:

Aurélio Becherini - Cosac Naify

Aurélio Becherini - Cosac Naify

Como relata o anúncio, Aurélio Becherini foi o primeiro repórter fotográfico da capital paulista, cujo trabalho é fundamental para a história visual de São Paulo.

O livro terá ensaios de Rubens Fernandes Junior, Angela C. Garcia e José de Souza Martins. São 236 páginas e 193 ilustrações, datadas do período que vai de 1904 a 1934. A edição só estará a venda a partir do dia 24 de janeiro:

Lançamento

Lançamento de Aurélio Becherini e abertura da exposição
Aurélio Becherini: São Paulo em transição
Dia 24 de janeiro, às 16 horas.
Local: Centro Cultural São Paulo
Rua Vergueiro, 1000, Paraíso
[Realização do Museu da Cidade de São Paulo e curadoria de Rubens Fernandes Junior]
Até 10 de maio. Segunda à sexta, das 10 às 20h.
Sábados, domingos e feriados, das 10 às 18h.
Tel.: (11) 3397 4000

O preço na 30PorCento será de R$29,40. Reservas: contato@30porcento.com.br

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Otto Stupakoff – Fotografia

23 setembro, 2008 | Por admin

Na última edição da revista Serafina – a edição de setembro de 2008 – vinculada à Folha de São Paulo, saiu uma matéria sobre o designer de movéis da velha guarda, Sergio Rodrigues, e sua famosa poltrona o Sofá Mole. Entretanto, o que chamou a atenção foi ver na primeira página da matéria uma foto de página inteira do fotógrafo paulista Otto Stupakoff.

O começo da matéria revela que o tal Sofá Mole foi criado a pedido de Stupakoff, “que queria um móvel confortável para seu estúdio”, e a foto é de um homem de costas e com as mãos na cintura prostrado em cima de uma rocha diante de um sofá empapado pela água do mar carioca.

Este episódio foi uma infeliz sessão de fotos para a divulgação do sofá, cujo fotografo era Otto Stupakoff. Depois deste episódio, mas sem nenhuma relação com ele, Stupakoff virou um renomado fotógrafo de moda internacional e etc.

Otto Stupakoff - Cosac Naify

Tudo isto para falar que a editora Cosac Naify lançou há quase 2 anos atrás um livro dedicado ao fotógrafo num misto de antologia e entrevista, organizado por Rubens Fernandes Junior. São 95 ilustrações distribuídas em 184 páginas. O livro, à venda na Livraria 30PorCento, custa R$ 52,50.

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Lançamento CosacNaify – Cadernos Etíopes de J. R. Duran

15 setembro, 2008 | Por admin

O lançamento de Cadernos etíopes da Cosac Naify, de J. R. Duran, um dos fotógrafos de maior evidência internacional, registra a passagem do fotógrafo pela Etiópia em um livro que mescla diário de viagem e ensaio fotográfico, promovendo um diálogo lúdico e lírico entre fotografia, literatura e etnografia.

Infelizmente o lançamento ocorreu durante a I-Contemporâneo – Circuito de Fotografia 2008 que terminou ontem no Shopping Iguatemi. O livro já pode ser adquirido pela Livraria 30PorCento clicando aqui.

Menino da tribo Dhasanech, Etiópia.

Menino da tribo Dhasanech, Etiópia, fotografada por J.R. Duran

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Lightmark – Trabalho alemão de fotografia

6 agosto, 2008 | Por tiagopavan

Cenci Goepel & Jens Warnecke

“Nós somos uma dupla de duas pessoas que gostam de estar ao ar livre. Foi ai que nos encontramos, foi aí que começamos a trabalhar e é aí onde vamos continuar. Quando nos conhecemos, Cenci era um pintor e Jens estava engajado no cinema, edição e animação: talvez a fotografia fosse algo no meio do caminho…”

Trabalho alemão de fotografia com luzes: http://www.lightmark.de/overview.htm

Lightmark
Langfjorddalen, Iford, Noruega, 2007

Cada imagem é nomeada com o nome do lugar, as coordenadas numéricas seguidas pela descrição geográfica. Eles dizem que isto é uma “falta de fantasia” da parte deles.

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Os negativos perdidos de Capa

21 abril, 2008 | Por admin

O jornal The New York Times publicou em 27 de janeiro deste ano uma matéria sobre a descoberta de milhares de negativos do famoso fotografo de guerra Robert Capa. Leia abaixo a tradução integral do artigo e clique aqui para acessar uma série de fotos que o jornal americano disponibilizou para ilustrar a matéria. Disponibilizamos também uma versão em PDF da tradução.

Robert Capa

O esconderijo de Capa

– The New York Times (27-01-2008)
Por Randy Kennedy

Para o pequeno grupo de peritos em fotografia a par de sua existência, ela era simplesmente conhecida como “a maleta mexicana”. E, no panteão dos tesouros perdidos da cultura moderna, era cercado pela mesma aura mítica que rodeiam os primeiros manuscritos de Hemingway, que desapareceram de uma estação de trem em 1922.

A maleta – na verdade três frágeis valises de papelão – continham centenas de negativos de fotografias que Robert Capa, um dos pioneiros da fotografia moderna de guerra, tirou durante a Guerra Civíl Espanhola antes de fugir da Europa para os Estados Unidos em 1939, deixando para trás o conteúdo de sua sala-escura parisiense.

Capa achava que esse material havia se perdido durante a invasão nazista, e morreu em 1954, trabalhando no Vietnã, ainda achando. Mas em 1995 correram rumores de que os negativos haviam sobrevivido à destruição após uma jornada digna de um romance de John le Carré: de Paris à Marselha e então para as mãos de um general e diplomata mexicano que havia servido Pancho Villa, na Cidade do México.

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