Artes Plásticas

O boom acabou. Vida longa à arte!

23 fevereiro, 2009 | Por admin

A Folha de São Paulo publicou hoje a tradução de um artigo de 12 de fevereiro que saiu no New York Times, assinado por Holland Cotter. O título original era “The Boom is Over. Long Live the Art”, cuja tradução literal é o título deste artigo. A Folha optou por chamá-lo de “Crise exige mudança no mercado”, e escolheu um subtítulo revelador: “É mais uma vez hora de os artistas terem outros empregos convencionais; o segredo é fazer deles uma fonte de energia”.

Como todos sabem, os artigos da Folha de São Paulo só ficam disponíveis para assinantes do UOL, assinantes da própria Folha ou para quem possuir acesso ao jornal numa banca de jornal. Como o artigo é de suma importância, tomei a liberdade de publicá-lo integralmente:

Crise exige mudança no mercado

No ano passado, a revista norte-americana “Artforum” possuía a espessura de uma lista telefônica, com edições de cerca de 500 páginas, a maioria das quais com anúncios de galerias. A edição atual tem pouco mais de 200 páginas. Muitos anúncios desapareceram.

Com sua reputação duradoura de transações pouco claras e valores inchados, o mercado de arte contemporânea é um organismo vulnerável, tradicionalmente atingido dura e precocemente por qualquer mal-estar econômico. É o que está acontecendo agora. As vendas desaparecem no ar. Carreiras estão minguando. Aluguéis em Chelsea estão sem pagar. O boom que havia deixou de existir.

A diminuição não foi quantitativa, de maneira alguma. Nunca antes houve tanto produto. Nunca antes o mundo americano das artes funcionou com tanta eficiência como indústria de marketing no modelo corporativo, dotada de todos os serviços necessários.

Todos os anos, escolas de arte em todo o país produzem milhares de formandos preparados para o sucesso, gente a quem caberá fornecer produtos desejáveis para as galerias e casas de leilões. Eles contam com o respaldo de hostes de especialistas em relações públicas (também conhecidos como críticos, curadores, editores, publishers e teóricos de carreira), que fornecem informações atualizadas e pontuais sobre o que significa “desejável”.

Muitos desses especialistas fazem parte, direta ou indiretamente, da folha de pagamentos dessa indústria, que é controlada por outro conjunto de profissionais: os marchands, corretores, assessores, financistas, advogados e (figuras cruciais nesta era de feiras de arte) planejadores de eventos, que representam a divisão de marketing e vendas da indústria.

São essas as pessoas que vasculham as escolas de arte, identificam talentos novos, orientam carreiras e, por meio de algum cálculo inescrutável, determinam o que vai vender -e por qual valor.

Não que esses departamentos sejam separados de qualquer maneira: as divisórias éticas não fazem o estilo dessa indústria. Apesar da profissionalização da década passada, o mundo da arte ainda gosta de enxergar-se como um grande e único barco do amor. Noite após noite, críticos e colecionadores consomem jantares pagos por marchands que estão promovendo artistas, ou museus que estão promovendo exposições, com todos juntos à mesa, bajulando uns aos outros, trocando ideias e farpas, pesando as vibrações.

E onde está a arte em tudo isso? Proliferando, mas enfraquecida. A “qualidade”, definida primariamente como habilidade formal, está em voga outra vez, como parte integral de um revival conservador -alguns diriam regressivo- da pintura e do desenho. E ela nos vem dando uma enxurrada de desenhos bem feitos, esculturas engenhosas, fotografias meticulosas e espetáculos cuidadosamente encenados, cada um baseado nos mesmos elementos fundamentais: uma ideia única, embutida no trabalho e exposta na declaração de um artista, e um visual ou estilo feito para captar a atenção tanto quanto o refrão numa canção de rock.

As ideias não variam muito. Durante algum tempo, ouvimos muito sobre o radicalismo da beleza; mais recentemente, sobre a política subversiva da ambiguidade estetizada. Seja o que for, é tudo alimento para o mercado. A tendência chegou a um nadir na véspera da eleição presidencial, quando, com fanfarra triunfalista, o New Museum, em Nova York, expôs uma pintura de Michelle Obama feita por Elizabeth Peyton e a acrescentou à retrospectiva da artista. O intuito promocional da exposição era evidente. E a grande declaração política? Que o establishment das artes votara no partido Democrata.

Expectativas

Os estudantes que ingressaram na escola de arte alguns anos atrás provavelmente terão que sair dela com expectativas drasticamente modificadas. Eles terão que se considerar com sorte se tiverem as facilidades profissionais hoje vistas como algo garantido e certo: a exposição solo numa fase precoce da carreira, as vendas iniciais, a possibilidade de poder viver de sua arte.

Hoje nos EUA é mais uma vez hora de artistas terem outros empregos convencionais para sobreviver, e tudo bem. Os artistas sempre tiveram esses empregos (Van Gogh foi pregador; Pollock, assistente de garçom) e os terão novamente. O segredo é fazer deles uma fonte de energia, e não algo que cansa e exaure.

Ao mesmo tempo, os artistas também poderão tomar conta da fábrica e tornar deles a indústria da arte. Coletiva e individualmente, poderão customizar os equipamentos, alterar os modos de distribuição, ajustar ritmos de produção de modo a permitir crescimento orgânico e mudanças de rumo e objetivo. Poderão fantasiar e se concentrar. Poderão fazer nada por algum tempo, ou fazer alguma coisa e fazê-la errada, poderão fracassar em paz e recomeçar.

Escolas
As escolas de arte também poderão mudar. A meta atual dos programas de ensino prático parece ser estreitar o talento até aguçá-lo para que possa penetrar agressivamente na arena competitiva. Mas, com os mercados incertos, possivelmente inexistentes, por que não afrouxar esse modo?
Por que não fazer do treinamento em ateliês uma experiência interdisciplinar, que se entrecruze com sociologia, antropologia, psicologia, filosofia, poesia e teologia? Por que não embutir em seu programa de estudos um semestre de estudos e trabalho que tire os estudantes totalmente do mundo das artes e os insira em lugares como hospitais, escolas e prisões, às vezes em ambientes extremos -ou seja, na vida real?
Mudanças como essas exigiriam novas maneiras de pensar e escrever sobre a arte, de modo que os críticos teriam que voltar à escola, faltar a algumas festas e mergulhar nos livros e na internet. A discussão sobre a “crise na crítica” percorre o mundo da arte periodicamente, sugerindo uma nostalgia pelos criadores de gosto à moda antiga, como policiais do trânsito.

Mas, se existe uma crise, não é uma crise de poder; é uma crise de conhecimento. Para dizê-lo em palavras simples, não sabemos o suficiente sobre o passado ou sobre quaisquer outras culturas exceto a nossa.

O século 21 quase certamente verá mudanças modificadoras de consciência no acesso digital ao conhecimento e na moldagem da cultura visual. O que os artistas farão com isso?

Será que a indústria da arte vai continuar a agarrar-se ao status analógico tradicional da arte, insistir que o objeto material, comprável é a única forma de arte verdadeiramente legítima, que é o que fez realmente o revival da pintura? Ou os artistas -e os professores e críticos- vão nadar para uma terra que ainda é difícil de localizar nos mapas e fazer dela seu lar e seu local de trabalho?

(Tradução de Clara Allain)

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Artes Plásticas

Como organizar exposições que ensinem a ver?

19 fevereiro, 2009 | Por admin

Como organizar mostras em que as obras interpelem o público, solicitando e estimulando o olhar? Que, em suma, ensinem a ver? Este é o epílogo da coluna dominical de Jorge Coli publicada no suplemento Mais! da Folha de São Paulo, sobre a exposição “Picasso e os Mestres”, no Grand Palais, em Paris.

Em suma, a coluna de Coli confirma as inúmeras críticas do público especializado: “houve raras comparações convincentes e a interrogação intelectual da exibição foi precária”; porém, indica um possível ponto positivo, ainda que inconsciente: “mesmo se involuntariamente (…) a exposição Picasso, destinada ao grande público, trouxe um excelente exercício para os olhos: o da comparação.”

Ao ler o artigo, imediatamente recordei-me da exposição de Josef Albers no Instituto Tomie Ohtake, especialmente o longo vídeo – Josef and Anni Albers “Art is everywhere” de Sedat Pakay – que documenta a trajetória biográfica do casal alemão.

Recém chegado nos Estados Unidos, convidado para dar aula na Black Mountain College, foi interpelado por um aluno sobre seu plano de aulas na instituição. Albers foi sintético: “make open the eyes” [fazer com que os olhos se abram]. Esta era a mesma preocupação que, anos mais tarde, Albers teria como professor visitante na Escola de Ulm: “Eu estou aqui para abrir os olhos de vocês.”

Ainda no vídeo-documentário, há um auto-depoimento onde Albers explica: “Embora eu tenha sido chamado para vir à Yale para dar aula a alunos da graduação em pintura, eu, na verdade, não os ensinava a pintar e sim a ver [seeing].

Fica explícito que não é necessário estar em Paris – privilégio de poucos – para organizar mostras em que as obras interpelem o público. Mas, no caso de Homenagem ao Quadrado, os méritos são todos do artista.

Links

A forma perfeita de Albers, no Estadão.

Sucesso de mostra de Picasso faz museu francês abrir 24 horas, no Estadão.

Livro Josef Albers: To Open Eyes, publicado pela Phaidon, e sua resenha, em inglês.

A Revista Burlington, a qual Jorge Coli faz referência em seu artigo.

Josef Albers - Homenagem ao Quadrado

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Artes Plásticas

7ª Bienal do Mercosul

18 fevereiro, 2009 | Por admin

É indiscutível o descontentamento geral em relação às grandes bienais de arte, descontentamento cujo ponto culminante foi a indecente 28ª Bienal de São Paulo, de 2008.

A porvindoura 7ª Bienal do Mercosul promete esquentar ainda mais a reflexão. Chamaram-na de Grito e Escuta, e explicaram sua proposta, que gera, de imediato, uma sensação desagradável pelas lembranças de um conturbado 2008: “a 7ª Bienal do Mercosul pretende chamar a atenção para uma reflexão sobre a própria Bienal do Mercosul, a crise do modelo Bienal em geral, a função do artista na sociedade hoje, e a gravidade das crises econômicas, sociais, políticas e culturais no mundo atual.”

Jorge Coli escreveu sobre a última edição da Bienal do Mercosul, em outubro de 2007, e nos dá, ao menos, uma esperança: “Há ótimos curadores no Brasil, está claro: a própria bienal do Mercosul teve grandes edições precedentes. Mas eles são poucos. Revezam-se nas mostras importantes. Isso significa forçosa repetição de enfoques, inevitáveis déjà vus. Pérez-Barreiro [curador da 6ª Bienal do Mercosul], espanhol de origem, com formação européia e norte-americana, responsável pelo setor latino-americano no museu de Austin, Texas, renovou expectativas que, no Brasil, tendem para o costumeiro.”

A 7ª edição da Bienal do Mercosul terá como curadores-gerais Victoria Noorthoorn (Argentina) e Camilo Yáñez (Chile). Os dois foram escolhidos através de concurso; entre 67 propostas apresentadas, Victoria e Camilo superaram propostas concorrentes de 24 países.

Camilo Yáñez

O editor da Revista APLAUSO – revista de cultura do Rio Grande do Sul -, Flávio Ilha, realizou uma entrevita com os curadores. Porém, a página do site da revista onde a entrevista fora publicada está fora do ar. Portanto, publicarei os os principais trechos da conversa aqui, até que a página oficial volte ao ar:

Juventude

Victoria
– Estamos propondo uma Bienal que tenha a juventude em sua estrutura, ou seja, uma mostra aberta e diferente em relação às anteriores. Acredito que somos bastante pretensiosos em relação a isso. É claro que não vamos reinventar a roda, mas creio que será uma Bienal muito inovadora desde sua estrutura. Sobretudo devido à sua abertura a inovações e a incorporação de um pensamento criativo à própria exposição. Nosso objetivo é oxigenar a Bienal através do pensamento dos artistas, que vão atuar como curadores. E que esse pensamento seja uma parte central da mostra.

Camilo – Quando falamos de curadores jovens, devemos considerar que também estamos em um continente jovem. Ou seja, um continente que tem, por isso, a possibilidade de se repensar constantemente, tem uma capacidade maior de sonhar, de ter utopias. Transportamos esse conceito para nosso projeto – não limitamos nossos sonhos e nossas utopias. Agora estamos baixando à terra.

A Bienal

Camilo – O papel da Bienal é de ser uma mediadora real entre os artistas contemporâneos, entre o público e entre os curadores. Um lugar de reunião e de discussão, onde a arte acontece. E não onde simplesmente se ilustra a arte. Não se trata apenas de mostrar formas de arte, mas de construir coletivamente essas formas.

Victoria – Estamos colocando nosso foco na transformação da Bienal numa efetiva experiência de arte. Ainda estamos avaliando as distintas alternativas que temos para envolver os artistas dentro da experiência da Bienal, para que ela esteja constantemente viva durante seu percurso. Não queremos que a Bienal seja apenas uma bela exposição, mas que seja uma experiência viva entre artistas e público. Queremos reinventar constantemente a Bienal. O desafio é enquadrar a exposição ao ritmo dos artistas, e não o contrário.

O projeto

Victoria – Há várias ações concretas que foram descritas no projeto. Uma das exposições propõe um diálogo entre artistas populares do Brasil – como grafiteiros, artistas de rua, anônimos – e artistas contemporâneos que trabalham a cidade como texto. É uma abertura da Bienal a esse artista que também trabalha na contemporaneidade, embora num patamar diferente.

Camilo – Outra ação é a convocatória aberta que faremos para artistas do mundo todo. Por que isso? Porque os curadores não têm a capacidade de conhecer a totalidade da produção contemporânea, isso é impossível. Então, essa convocação tem o sentido de ampliar a perspectiva de obras que poderemos mostrar. É essa oxigenação que estamos defendendo. Se os curadores foram escolhidos por concurso, muitos dos artistas que estarão aqui – e que não são visíveis, apesar de desenvolveram bons trabalhos – também poderão ser escolhidos dessa forma. Vamos selecionar projetos dirigidos especificamente à 7ª Bienal do Mercosul e que tenham a América Latina como referência. Queremos uma Bienal auto-generativa, quer dizer, uma Bienal que seja constantemente realimentada por seus próprios projetos.

Mercosul

Victoria – Não pensamos no Mercosul de forma fechada. A América Latina se formou, não só culturalmente, em diálogo constante com a história européia e norte-americana, principalmente. E hoje, com a globalização, é impossível pensar um continente fechado. Mas é claro que precisamos dar ênfase a nossos problemas e a nossas questões.

O público

Camilo – Vamos escolher um curador pedagógico, ou seja, um artista que estará focado exclusivamente em gerar mediações reais com o público – não só de Porto Alegre, mas do Rio Grande do Sul. Isso nos parece chave. Queremos que o público tenha mapas, ou uma cartografia, que lhe permita percorrer diferentes percursos para ver a Bienal. E não apenas uma única forma de leitura unidimensional, se não várias formas de ler a Bienal. O público, em linhas gerais, é que fará a exposição acontecer.

Victoria – O nosso projeto inclui performances, happenings e outras formas de expressão direta com o público, em ônibus, supermercados, em locais públicos e de grande circulação de pessoas. E em lugares não referenciais para a arte. O projeto editorial também precisa ter um papel motivador para o público, no sentido de construir seu próprio catálogo de arte. Por exemplo, cada pessoa poderá selecionar mais informações sobre trabalhos que lhe interessem – ou menos sobre os que não interessem. Queremos dinamizar a área editorial, e não fechá-la em catálogos bonitos, mas inacessíveis.

Projeto educativo

Victoria – Pretendemos que não haja apenas um relato sobre a Bienal, mas múltiplas forma de entendê-la. Isso quer dizer que o professor poderá eleger um relato que tenha mais relação com a matemática, por exemplo. Ou com a história, com as ciências sociais. Devemos vincular fortemente o projeto educativo com as publicações – mais massivas, de baixo custo, na internet. Nos interessa alcançar muita gente , pois não temos a pretensão de criar um novo modelo de Bienal. Temos sim a pretensão de que esta Bienal, em especial, seja muito forte, seja oxigenada e que chegue a muita gente. Ou seja, o mais aberta possível.

Camilo – O projeto pedagógico está pensado para ser um cadastro de metodologias de ensino da arte pela América Latina. Não só o ensino tradicional, mas também formas alternativas de se conhecer e aprender sobre arte. Nos interessa muito fazer da Bienal um processo de aprendizagem coletivo – dos curadores, dos artistas, do público.

Artistas

Victoria – Não temos nomes, mas vamos nos focar em artistas que utilizam a arte como forma de subverter a realidade e, por conseqüência, como forma de chamar a atenção para essa realidade. Estamos vivendo uma época complicada, de conflitos intensos. Os artistas são pessoas importantes para assinalar esses desafios, que propõem alternativas contundentes e, claro, possíveis. Nos interessa envolver o máximo possível, nesse processo, os artistas locais.

Camilo – O que nos interessa é fazer uma boa Bienal. E como se faz isso? Desde os artistas e desde o público. É preciso estabelecer uma energia coletiva entre esses agentes. O que podemos dizer, neste momento, é que o espírito central da Bienal é a oxigenação e a dinamização do contexto atual da arte.

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Últimas

Paulo Freire na Austrália

18 fevereiro, 2009 | Por admin

Alberto Luiz Fonseca, colunista da Terra Magazine, escreveu um artigo sobre a recepção do público universitário australiano da obra do grande pedagogo brasileiro, Paulo Freire, em seminário organizado pelo centro de estudos latino-americanos da Universidade Nacional da Austrália, em Sidney, que foi chamado de “Paulo Freire: Education and Liberation.”

“Como não podia deixar de ser”, explica Alberta Fonseca, “os conceitos e ideias revolucionários de Paulo Freire, expostos com clareza por Pedrinho [Pedrinho Guareschi, palestrante principal do Seminário], despertaram o interesse e a curiosidade de plateia. A qual, deve-se notar, era na maioria de estudantes, mas de várias nacionalidades, sobretudo australianos e asiáticos.”

O legado de Paulo Freire, principalmente sua filosofia educacional, é incomensurável. Seu pensamento reverberou além do âmbito nacional, tanto é que a ele foi outorgado título de doutor Honoris Causa por vinte e sete universidades.

Minha leiguice em relação à pedagogia impede, infelizmente, que este artigo represente uma homenagem significativa que Paulo Freire merecia. Portanto, abro o espaço àqueles que podem contribuir de maneira menos ignorante ao assunto.

livros

A editora Unesp possui uma boa referência bibliografica sobre Paulo Freite. Conheça os 7 títulos que estão disponíveis na editora:
http://30porcento.com.br/paulo_freire.html

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Literatura

Artigos sobre John Updike

17 fevereiro, 2009 | Por admin

Há 21 dias John Updike, escritor norte-americano, morreu. Já foi tempo suficiente (perdoem-me desde já a falta de sensibilidade) para ínumeros artigos, críticas e semi-biografias serem publicados na mídia impressa e digital. Compilei aqui algumas das principais matérias sobre Updike, a maioria em inglês:

John Updike

Leia trecho do romance ‘Terrorista’, de John Updike. (Estadão)

Leia o obtuário de “John Updike, a Lyrical Writer of the Middle-Class Man, Dies at 76”, no The New York Times.

Veja um conjunto de imagens (128) em memória de John Updike, no Flickr.

Ouça um Podcast onde o próprio John Updike comenta sobre seu livro Terrorist, gravado em 6 de junho de 2007 na Free Library of Philadelphia.

Ouça um Podcast onde Roger Angell lê o conto “Playing with Dynamite”, de John Updike, e conversa com a editora chefe de ficção da revista The New Yorker, Deborah Treisman.

Leia um excelente artigo escrito pelo escritor britânico Ian McEwan: “On John Updike”, publicado no The New York Review of Books.

Leia uma matéria sobre a rotina de escritor de John Updike, considerados um dos mais prolíficos escritores modernos.

Leia aqui um outro obtuário, desta vez do editor de John Updike, Alfred A. Knopf Jr., que faleceu -infeliz coincidência – no dia 14 de fevereiro de 2009.

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Agenda

Inéditos de Julio Cortázar

16 fevereiro, 2009 | Por admin

Foi publicado hoje, 15 de fevereiro de 2009, no Estadão, uma matéria sobre o lançamento de textos inéditos, para maio, do escritor argentino Julio Cortázar. O Luis Favre prestou a gentileza de publicar em seu blog a íntegra do artigo. Leia O baú das preciosidades de Julio Cortázar.

O mote do artigo, escrito por Luiz Zanin Oricchio, é o fato de que “a editora espanhola Alfaguara promete, para maio, um sólido volume de inéditos do autor, reunidos sob o título de Papeles Inesperados.”

O site oficial da Editorial Alfaguara adiantou que “o livro reúne 11 contos nunca antes publicados; 3 histórias de cronópios que haviam desaparecido; 1 capítulo inédito d’O Livro de Manuel; 11 episódios protagonizados por Lucas [do livro Um Tal Lucas]; 4 auto-entrevistas; 13 poemas inéditos; artigos sobre literatura, pintura, política, viajens; discursos; prólogos; e textos inclassificáveis, entre outras muitas páginas de inegável valor literário.”

Leia o texto completo, Julio Cortázar, veinticinco años después, no site da Alfaguara. O livro a ser publicado em maio chamar-se-á Papeles inesperados.

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Literatura

Tradução do Francês é nova categoria do Jabuti

14 fevereiro, 2009 | Por admin

Foi publicado na Folha de São Paulo de hoje, 14 de fevereiro de 2009, a notícia da criação de uma nova categoria no tradicional prêmio literário Jabuti voltada para as traduções do Francês.

“A Câmara Brasileira do Livro decidiu incluir a categoria tradução de obras de ficção do francês para o português no tradicional Prêmio Jabuti, como homenagem à língua francesa no Ano da França no Brasil. Com a inclusão, a premiação contemplará 21 categorias no total. As inscrições para o prêmio, de obras publicadas no ano passado, vão de março a maio. Em setembro, serão escolhidos os três primeiros colocados de cada categoria, e, em novembro, serão anunciados o livro do ano de ficção e de não-ficção.”

A notícia é boa, na minha humilde opinião. Enquanto observamos a estreiteza norte-americana que possui sua vida literária voltada única e exclusivamente para o que é produzido dentro de seu território, temos um exemplo brasileiro bastante profícuo.

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Agenda

Paulo Monteiro – Estação Pinacoteca + Cosac Naify

13 fevereiro, 2009 | Por admin

Paulo Monteiro traz invarialvelmente à memória o Grupo da Casa Sete. Uma fonte de informações disponível na internet sobre o grupo é o trabalho da pesquisadora Elaine Werneck, do programa de Pós Graduação Interunidades em Estética e História da Arte – MAC-USP, chamado “O grupo casa sete e a pintura dos anos 80”.

Grupo Casa Sete

“O Grupo Casa Sete, em São Paulo, eram autodidatas que possuíam uma formação realizada de modo informal com passagem pela FAU-USP e FFLCH-USP.”

Sobre o universo pictórico dos artistas – o grupo era formado por Carlito Carvalhosa, Fábio Miguez, Nuno Ramos, Paulo Monteiro e Rodrigo Andrade -, Werneck considera que “cada integrante do Grupo possuía uma simbologia e metáfora própria mas não exclusiva, podendo as mesmas serem apropriadas por outro colega de ateliê. As imagens da quais o Casa Sete se apropria têm origem nos meios de comunicação de massa, como personagens, caveiras, cômics, ou apresentam-se como um simbolismo mais pessoal como pedras e rochas (Paulo Monteiro).”

Ao interpretar um determinado padrão do conteúdo da obra de Paulo Monteiro – “embora Croce preferia não distinguir forma de conteúdo para afirmar a unidade da obra de arte, distinção que achava meramente convencional”, o que não vem ao caso neste artigo – Elaine Werneck diz: “Quanto ao conteúdo de suas obras, Paulo Monteiro apresenta na sua poética aspectos tragicômicos.”

O trabalho integral pode ser lido aqui.

Paulo Monteiro

Sobre Paulo Monteiro, especificamente, a fonte que tenho em mãos é o texto publicado no catálogo Paulo Monteiro, de outubro de 1994, escrito por Rodrigo Naves. A reflexão do crítico foca a produção escultural do artista, e já anuncia seu intento na primeira frase: “Afinal, as esculturas de Paulo Monteiro crescem ou definham?”

O artigo pode ser lido no livro de ensaios de Rodrigo Naves, publicado pela Companhia das Letras, sobre arte moderna e contemporânea, chamado O vento e o moinho.

Atualmente, Paulo Monteiro ministra um curso de pintura contemporânea, onde “procura, através de aulas práticas, iniciar o aluno na reflexão das recentes transformações da pintura, a sua eficácia como meio de comunicação abordando questões como a fragmentação do plano pictórico, a crise do retângulo e a multiplicação das técnicas e dos suportes da pintura”, durante infinitesimais 40 horas – infinitesimais ao considerar a profundidade do programa das aulas – ao longo do semestre.

Aos possíveis interessados: O curso é ministrado do b_arco à Rua Dr. Virgílio de Carvalho Pinto, 426, na Vila Madalena, em São Paulo.

Paulo Monteiro

A Exposição na Estação Pinacoteca (2009)

Na exposição da Estação Pinacoteca, Paulo Monteiro: Uma seleção, 1989-2008, estão reunias cerca de 140 obras, entre pinturas, esculturas, desenhos, gravuras, guaches e relevo de paredea.

Logo na entrada, há uma parede onde se lê o título da exposição “Paulo Monteiro: Uma seleção, 1989-2008 “. A fonte com a qual foi feita a inscrição do nome do artista na entrada da exposição é a Lithos, desenhada por Carol Twombly. A fonte deriva das letras geométricas livres de adornos que eram talhadas, em pedra, em templos e monumentos públicos na Grécia antiga.

Se você não mora em São Paulo, há uma galeria no Flickr onde pode-se contemplar – com uma perda significativa, se não total, da força artística das obras – algumas das esculturas, pinturas e desenhos de Paulo Monteiro que estão expostas na Pinacoteca. O endereço é: http://www.flickr.com/photos/artexplorer/tags/paulomonteiro/

Por fim, amanhã, 14 de fevereiro de 2009, haverá o lançamento do livro Paulo Monteiro, pela Cosac Naify, acompanhado por uma sessão de autógrafos do autor e uma mesa-redonda com Alberto Tassinari, Tiago Mesquita e Taísa Palhares (curadora). A solenidade começa as 10:30, na Estação Pinacoteca.

O livro possui textos de Alberto Tassinari, Paulo Venancio Filho, Taísa Palhares e Rodrigo Andrade, e já está a venda aqui na 30PorCento.

Paulo Monteiro

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Literatura

A Literatura do Império Austro-Húngaro

12 fevereiro, 2009 | Por admin

O exuberante Império Austro-Húngaro foi instituido em 1867 e dissolvido em 1918. Cinquenta e um anos foram suficientes para impelir o desenvolvimento de uma literatura vigorosa. Um artigo no blog “Conversational Reading” deixa isto claro: “Uma grandiosa cidade (Vienna) envolta por um grandioso império (Austro-Húngaro) era digna de uma grandiosa literatura.”

A lista da Ficção Austro-Húngara que o artigo da “Conversational Reading” levanta é vasta: Kafka, Elias Canetti, Rilke, Arthur Schnitzler, Italo Svevo e etc. O blog vale a visita, ainda mais se o visitante possui um cartão de crédito internacional e puder encomendar algum dos autores citados através da Amazon. Além disso, as memórias de Stefan Zweig, escritor austríaco de ascendência judaica, sintetizam a fecunda atmosfera do império.

Aqui no Brasil, os dois nomes que me saltam à memória e que reverberam este antro literário são Paulo Rónai e Otto Maria Carpeaux.

Paulo Rónai nasceu em Budapeste e imigrou ao Brasil em 1941, ganhou imenso prestígio como tradutor – em Budapeste, foi professor de latim e língua italiana, dedicou-se aos estudos acadêmicos de francês, fez parte da equipe de tradução do colossal A comédia humana, de Balzac, além de ter criado a ABRATES (Associação Brasileira de Tradutores), da qual foi também primeiro secretário-geral. Enfim, um monstro.

Otto Maria Carpeaux, veio ao mundo em Viena e chegou ao Brasil em 1939. Para se ter uma idéia da grandiosidade de Carpeaux, basta relembrarmos um artigo que Carlos Heitor Cony escreveu na Folha de São Paulo: “Foi com pavor que me aproximei de Otto Maria Carpeaux, no início dos anos 60, quando entrei para o “Correio da Manhã” … onde ele era o principal editorialista do jornal. Já haviam sido publicados os primeiros volumes de sua monumental História da Literatura Ocidental, eu havia lido a Cinza do Purgatório, Origens e Fins e Livros na Mesa. Considerava o seu prefácio à edição brasileira de Os Irmãos Karamazov tão esclarecedor e importante quanto o próprio texto de Dostoiévski. Esse monstro ali estava, andando de mesa em mesa, fumando sem parar, esperando a reunião das 18h em que se discutiria a linha do editorial e dos tópicos que compunham a página de opinião, a famosa página 6 do velho Correio … ao final de cada palestra, havia debates, os estudantes faziam as perguntas, eu respondia com milhões de palavras e não era entendido. Carpeaux pensava um pouco, dizia cinco, seis, dez palavras -e estava tudo ali. Decididamente, um monstro.”

links

A literatura húngara contemporânea pode ser contemplada no seu site oficial, Literatura Húngara Online > http://www.hlo.hu/index.ivy

O artigo do blog Conversational Reading é este > http://is.gd/jmN9

A Cosac Naify publicou a tradução de Paulo Rónai para o livro Os meninos da rua Paulo, do húngaro Ferenc Molnár > Livraria 30PorCento

A Editora do Senado reeditou em 2008 a monumental História da Literatura Ocidental, em 4 volumes, de Otto Maria Carpeaux. Para comprar > Livraria do Senado

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Literatura

Charles Darwin – Bicentenário

12 fevereiro, 2009 | Por admin

Minha contribuição ao bicentenário de nascimento do grandioso cientista britânico Charles Darwin é a indicação de uma publicação da editora Unesp que estava esgotada mas, felizmente, já está disponível para compra através do recém-criado sistema de impressão sob-demanda da editora.

O livro é As Cartas de Charles Darwin – uma seleta, 1825-1859. A sinopse disponível no site da UNESP explicíta a grandiosidade da publicação: “Uma seleção criteriosa de cartas de Darwin, feita por um dos mais respeitados especialistas na matéria [Frederick Burkhardt]. O objetivo da coletânea não é simplesmente o de fornecer elementos biográficos sobre o naturalista inglês, mas sim o de dar ao público um importante escorço para a discussão dos mais significativos aspectos do pensamento darwiniano.”

O autor, Frederick Burkhardt, morreu em setembro de 2007, vítima de uma falha congestiva do coração, aos 95 anos. Ele foi o fundador do Darwin Correspondence Project, uma força-tarefa para tentar encontrar e resumir todas as cartas escritas por Darwin ou endereçadas para ele. O projeto possui um site oficial – http://www.darwinproject.ac.uk/ -, que é bem estruturado e preparou um “presente” para as comemorações dos 200 anos de nascimento de Darwin: publicaram algumas cartas que ele escreveu ou que ele recebeu nos dias de seu aniversário. Veja aqui.

Além disso, a editora Cosac Naify montou uma página especial para o bicenternário de Darwin e está oferecendo 50% de desconto na compra do livro Fique por dentro da evolução, da coleção Fique por dentro. O livro sai por míseros R$ 19.00.

Charles Darwin - Bicentenário

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poesia

Algernon Charles Swinburne (1837) – poeta inglês

12 fevereiro, 2009 | Por admin

Ontem vendi um livro cuja existência eu desconhecia. Com apenas 60 páginas, a pequena edição publicada pela editora Pontes traz o poema mais famoso do primeiro livro (1866) da trilogia Poems and Ballads, do inglês Algernon Charles Swinburne: Dolores.

Algernon Charles Swinburne nasceu a 5 de abril de 1837, em Londres. Estudou no Balliol College, em Oxford, mas abandonou a universidade antes mesmo de conseguir seu diploma, em 1860. Em 1864, a prima de Swinburne, Mary Julia Charlotte Gordon, anúnciou que iria se casar. O fato pode parecer irrelevante, mas os críticos atribuem esta notícia ap desapontamento de Swinburne refletido em alguns de seus poemas, como em Dolores.

Sua poesia provou-se única na esfera poética Inglesa. Entretanto, temas sadomasoquistas, lésbicos, fúnebres e anti-religiosos. causaram um inigualável escandalo por fazer escárnio de preceitos morais, religiosos e de padrões sociais Vitorianos.

Reconheço que é bem provável que eu nunca mais venda este livro. Tanto pelo fato de ser muito barato, R$ 8.40, e também por existir um projeto da Universidade de Indiana, nos Estados Unidos, chamado The Swinburne Project, que propõe-se a disponibilizar “toda obra original de Swinburne disponível e materiais de contextualização selecionados – reações de críticos da época, trabalhos biograficos e reproduções de quadros sobre os quais Swinburne escreveu.”

O endereço do The Swinburne Project é: http://swinburnearchive.indiana.edu/

DOLORES
(NOTRE-DAME DES SEPT DOULEURS)

Cold eyelids that hide like a jewel
Hard eyes that grow soft for an hour;
The heavy white limbs, and the cruel
Red mouth like a venomous flower;
When these are gone by with their glories,

What shall rest of thee then, what remain,
O mystic and sombre Dolores,
Our Lady of Pain?
Seven sorrows the priests give their Virgin;
But thy sins, which are seventy times seven,

Seven ages would fail thee to purge in,
And then they would haunt thee in heaven:
Fierce midnights and famishing morrows,
And the loves that complete and control
All the joys of the flesh, all the sorrows

That wear out the soul.
O garment not golden but gilded,
O garden where all men may dwell,
O tower not of ivory, but builded
By hands that reach heaven from hell;

Algernon Charles Swinburne

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Artes Plásticas

Mestres Latinoamericanos na Coleção FEMSA

11 fevereiro, 2009 | Por admin

Começa amanhã, 12 de fevereiro de 2009, a primeira exibição da Coleção FEMSA, maior companhia integral de bebidas da América Latina, no Instituto Tomie Ohtake, na sala onde estava exposto o conjunto de esculturas do brasileiro Franz Weissmann.

A Coleção FEMSA teve início em 1977 através da criação do Museu de Monterrey, que viu crescer seu acervo através de um bom programa de aquisições e generosas doações de particulares, artistas e de instituições. Segundo a FEMSA, a premissa é a de formar um acervo que mostre a evolução, pluralidade e riqueza da arte latino-americana, a partir do século XX (a obras mais antiga da coleção data de 1914), com destaque para a arte mexicana.

No site oficial da Coleção FEMSA, pode-se ler informações mais detalhadas sobre a instituição e conferir reproduções de uma parte do acervo.

A exposição foi chamada de Latitudes: Mestres Latinoamericanos na Coleção FEMSA, e ficará aberta até 5 de abril de 2009. A curadora é Rosa María Rodríguez Garza. Além disso, conta com uma quantidade razoável de artistas latinoamericanos, com 41 obras ao todo:

Antonio Berni, Jacobo Borges, Fernando Botero, Iberê Camargo, Leonora Carrington, Pedro Coronel, Olga Costa, Pedro Figari, Leonor Fini, José Gamarra, Oswaldo Guayasamin, José Gurvich, Alfredo Hlito, Arcangelo Ianelli, Frida Khalo, Wifredo Lam, Agustín Lazo, Romulo Maccio, Roberto Matta, Francisco Matto, Carlos Mérida, Guilhermo Meza, Alfonso Michel, Roberto Montenegro, Armando Morales, Gerardo Murillo, Carlos Orozco Romero, César Paternoso, Alfredo Ramos Martínez, Armando Reverón, Manuel Rodríguez Lozano, David Alfaro Siqueiros, Jesús-Rafael Soto, Rufino Tamayo, Luis Tomasello, Joaquín Torres García, Cordelia Urueta, Remedios Varo e Ángel Zárraga.

Instituto Tomie Ohtake
Av. Faria Lima 201, São Paulo – SP
11- 2245-1900
www.institutotomieohtake.org.br
Terça a domingo, 11-20h

Joaquín Torres-García 193

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Agenda

Conferência TOC – Tools of Change for Publishing

11 fevereiro, 2009 | Por admin

Começou no dia 9 de fevereiro de 2009 uma conferência em Nova Iorque pouco – ou melhor, nada – divulgada aqui no Brasil. A TOC, Tools of Change for Publishing, ou, Ferramentas para Mudança em Publicações,

Diz o site oficial da TOC que o evento tem como objetivo “decifrar as ferramentas de mudança na indústria editorial, além de auxiliar a percorrer o caminho através dos modismos efêmeros para um futuro vantajoso da editoração. Da criação, edição e criação do layout à distribuição e comercialização, novas tecnologias estão transformando todos os aspectos da editoração. Porém, quais das novas tecnologias são pertinentes? Qual proporciona oportunidades de negócios estimulantes? E quais perguntas estratégicas precisa-se considerar para adotar os novos modelos? Estas questões e muitas outras serão exploradas durante o TOC.”

Agora a noite a tag #TOC já está caótica no Twitter. Basta seguir as atualizações instantâneas – http://search.twitter.com/search?q=%23TOC – para perceber o quanto está sendo falado da conferência. Além disso, você pode seguir a própria TOC no Twitter: http://twitter.com/toc

A página do TOC está hospedando, como era de se esperar de uma conferência sobre editoração e publicação de conteúdo, a maioria das apresentações – em PPT -, fotos, vídeos e comentários diretos de Nova Iorque. No seguinte endereço: http://www.toccon.com/toc2009

Voltarei com uma cobertura mais detalhada outra hora. Divirtam-se.

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Literatura

Roberto Bolaño e W.G. Sebald

10 fevereiro, 2009 | Por admin

Estive lendo o blog Beyond Hall 8, que se auto-denomina uma plataforma para discussões sobre a publicação de livros, com uma perspectiva internacional, voltada para um público internacional. Além disso, o blog é patrocinado pela Feira do Livro de Frankfurt.

Num artigo de 29 de janeiro deste ano – 2009 -, o autor, Edward Nawotka, faz um comentário e dá o seu palpite sobre o prêmio Best Translated Book of 2008 [Melhor Livro tradução Traduzido – para o inglês – de 2008]. A aposta é que o romance 2666, de Roberto Bolaño, traduzido do espanhol por Natasha Wimmer, será o vencedor tanto do Best Translated Book of 2008 quanto do National Book Critics Circle.

Entretanto, o mais interessante do artigo vem logo em seguida. Nawotka pondera se o interesse por Bolaño irá se sustentar por muito tempo e, principalmente, nos faz lembrar que, há alguns anos atrás, W.G. Sebald atravessou um fase similar de interesse dos leitores e da crítica, mas sumiu de vista nos dias de hoje.

W. G. Sebald, alemão, faleceu num acidente de carro há 8 anos, em dezembro de 2001. O autor é pouco conhecido no Brasil. Um reflexo disto pode ser visto no fato de que, na enciclopédia Wikipedia, não há o artigo do escritor em nossa língua.

Sebald teve dois de seus romances publicados pela Companhia das Letras no ano passado (2008). Austerlitz, de 2001, e Vertigem, de 1990, ambos traduzidos por José Marcos Mariani Macedo. Os outros dois títulos públicados em português são da editora Record: Os Anéis de Saturno, de 1995, e Os Emigrantes, de 1992.

A revista Trópico publicou, na época do lançamento de Os Anéis de Saturno, em 2002, um ótimo artigo sobre o escrito alemão. Assinado por Flavio Moura, o texto revela que “o culto a uma morbidez silenciosa, a um mundo de sombras que já desistiu de se iluminar, é uma constante nos livros do autor” e “em certas passagens temos a impressão de que o narrador é um médico com olhos apenas para as enfermidades, sejam elas perpetradas pela passagem do tempo ou pela ação do homem.”

Leia o obtuário de W. G. Sebald no The Guardian.

Sobre Austerlitz, o último romance de W. G. Sebald:

“O professor de história da arquitetura Jacques Austerlitz explora a estação ferroviária de Liverpool Street, em Londres, coletando material para pesquisas, quando é tomado por uma visão que talvez o ajude a explicar não a ‘arquitetura da era capitalista’, mas o sentimento incômodo de ter vivido uma vida alheia. A partir dessa experiência, suas andanças pelas ilhas britânicas e pelo continente europeu, sua mania fotográfica e sua memória minuciosa ganham ímpeto bem mais que acadêmico – Austerlitz passa a reconstruir sua própria biografia. Para cumprir a tarefa – ou seu destino -, o herói do romance terá de ir e vir entre várias décadas, muitos países e os cenários mais díspares – um lar protestante no interior de Gales, um internato britânico, uma biblioteca em Paris, fortificações, palácios, campos de concentração, monumentos e banheiros públicos. No fim da viagem – que converterá a biografia mais íntima do professor em cifra da história européia no século XX -, está o momento em que tudo começou, com outros nomes, em outra língua, em outra estação ferroviária, quando os horrores da Segunda Guerra começavam a se anunciar.”

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cinema

Moby Dick, Woody Allen e Carta a D.

10 fevereiro, 2009 | Por admin

O site da Cosac Naify ostenta, em sua belíssimo página em preto e branco, uma coluna com os livros mais vendidos pela editora no ano passado, 2008. As três primeiras posições – como o título deste artigo já denunciou – são, nesta ordem:

Carta a D. – História de um amor, do austríaco André Gorz;

Moby Dick, de Herman Melville;

Conversas com Woody Allen, entrevistas a Eric Lax.

Carta a D., o primeiro colocado, foi lançado há exatamente 1 ano. No longínquo mês de fevereiro 2008. 5 mil exemplares do livro saíam das máquinas de impressão off-set da gráfica e caíam nas mãos dos leitores, em regozijo, que não tardariam a esgotá-los das prateleiras.

Moby Dick, de abril de 2008, ganhou fama por trazer a íntegra da obra, um glossário de termos náuticos, bibliografia, a relação das edições já lançadas no Brasil e fortuna crítica, além de um mapa onde pode-se acompanhar onde se passam os episódios que marcaram a nau comandada pelo capitão Ahab. Além disso tudo, virou ícone Pop ao ser declarado livro de cabeceira pelo presidente eleito norte-americano Obama.

Conversas com Woody Allen, o último dos três a ser lançado, em novembro de 2008, passou por sua 1a reimpressão já no mês seguinte, e reune, em 36 anos de conversa, todo o processo cinematográfico do diretor e suas reflexões. Foi matéria de capa da Bravo!, que aproveitou o lançamento de seu último filme Vicky Cristina Barcelona.

Se isso tudo bastasse, estaríamos todos satisfeitos. Lidos os três livros, resenhas feitas, diálogos travados, não haveria nada além de um lugar na estante ou um sebo afortunado. A questão aqui é que, partindo do princípio que este artigo está sendo veiculado num blog que reverbera os acontecimentos e opiniões de uma Livraria, e de seu respectivo Livreiro, nenhum exemplar desses 3 livros foi sequer vendido – desde o lançamento de Carta a D., há um ano – nesta humilde Livraria virtual que chamamos de 30PorCento.

Eis o desabafo editorial, que desmerece o conteúdo do blog por sua índole mercantil, mas que fazia-se necessário.

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